Política

Amazonas

Assembleia Legislativa do AM gasta mais de R$ 3,2 milhões com aluguel de veículos em apenas três meses

Contratos firmados com a ACB Locadora seguem ativos até 2026 e documentos podem ser consultados no Portal da Transparência.


A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), sob presidência do deputado Roberto Cidade (União Brasil), já desembolsou R$ 3.219.901,05 apenas nos três primeiros meses de vigência do contrato de locação de veículos renovado neste ano com a empresa ACB Locadora de Veículos Ltda.

O valor corresponde a parte dos repasses previstos no terceiro termo aditivo ao contrato nº 01/2022, que teve sua vigência estendida em 3 de fevereiro de 2025, com término em 2 de fevereiro de 2026. A contratação prevê custo anual estimado de R$ 7.436.468,00, com pagamentos mensais fixados em R$ 676.042,55, segundo consta no cronograma financeiro disponibilizado no Portal da Transparência da Aleam.

Continua depois da Publicidade

Pagamentos já realizados:

  • 04/02/2025 – R$ 661.039,29

  • 07/02/2025 – R$ 661.039,29

  • 10/03/2025 – R$ 44.798,00

  • 10/03/2025 – R$ 552.269,74

  • 24/04/2025 – R$ 661.039,29

  • 19/05/2025 – R$ 639.715,44

Os comprovantes de empenho e liquidação desses pagamentos estão disponíveis para consulta pública no Portal da Transparência da ALEAM.

Apesar dos valores expressivos, o edital não detalha os modelos dos veículos fornecidos pela locadora, que em contratos anteriores chegou a entregar caminhonetes do tipo picape para uso dos parlamentares e órgãos internos da Casa.

Histórico da empresa contratada

A ACB Locadora de Veículos Ltda, com sede no bairro Alvorada, zona centro-oeste de Manaus, atua na locação de veículos sem condutor desde sua fundação, em dezembro de 2007. Os sócios e administradores são Alexandre Rodrigues Bergamasco e Alessandro Correa Bergamasco.

A empresa mantém relação antiga com a Aleam. Entre 2022 e 2023, a ACB recebeu mais de R$ 15 milhões da Casa Legislativa:

  • R$ 7.374.825,00 (2022)

  • R$ 7.809.978,00 (2023)

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a Assembleia Legislativa do Amazonas e com a ACB Locadora de Veículos Ltda solicitando posicionamento sobre os valores contratados e os critérios de escolha da empresa. Até o momento da publicação, não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço segue aberto para manifestações.

Veja os documentos:
Imagens dos comprovantes de pagamento e do contrato estão disponíveis nesta publicação e podem ser acessadas diretamente no Portal da Transparência da ALEAM.

Locadora de veículos já foi investigada por fraude e suspeita de lavagem de dinheiro

A ACB Locadora esteve envolvida em uma investigação do MP-AM em 2019, após denúncias feitas por vereadores da cidade de Presidente Figueiredo. Na ocasião, a empresa foi citada em um processo que apurava a existência de uma organização criminosa dentro da prefeitura municipal, comandada pelo então prefeito Romeiro Mendonça e seu vice Mário Abrahão, com objetivo de fraudar licitações e contratos públicos.

O foco da investigação foi o Pregão Presencial nº 017/2017, do qual a ACB saiu como uma das vencedoras. Segundo o MP, o processo licitatório apresentou indícios de direcionamento e favorecimento. Mais grave ainda: a empresa teria recebido o valor integral do contrato sem comprovar a prestação dos serviços — inclusive, com relatos de que os veículos não estavam disponíveis na cidade e que os valores cobrados eram acima do mercado, levantando suspeitas de superfaturamento.

Além disso, um relatório técnico do próprio MP revelou movimentações financeiras suspeitas envolvendo a ACB, como saques vultosos realizados por terceiros, aquisição de bens de luxo e compra de moeda estrangeira — tudo sem justificativa plausível, indicando possíveis práticas de lavagem de dinheiro.

A gravidade das denúncias levou o Tribunal de Justiça do Amazonas a autorizar a quebra do sigilo telefônico de envolvidos, inclusive de um então deputado estadual.

Apesar desse histórico preocupante, a empresa continua sendo contratada com recursos públicos — o que levanta questionamentos sobre o rigor dos critérios adotados pela Câmara de Manaus ao firmar contratos com fornecedores já marcados por sérias suspeitas.