Em uma operação deflagrada na manhã desta sexta‑feira (3), o Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), prendeu preventivamente o vereador de Manaus Rosinaldo Bual (Agir‑AM) e sua chefe de gabinete sob suspeita de liderar um esquema de rachadinha na Câmara Municipal.

O valor bloqueado corresponde ao montante estimado que teria sido desviado dos cofres públicos por meio de repasses fraudulentos de salários de assessores parlamentares – Foto: Reprodução
Principais fatos e suspeitas
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Foram cumpridos mais de dez mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva em diferentes endereços ligados ao vereador.
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Durante as buscas, foram encontrados três cofres: um no gabinete de Bual, outro na casa da mãe do parlamentar e um terceiro no sítio dele. O vereador teria se negado a fornecer as senhas dos cofres às autoridades.
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Na residência da mãe do vereador, também foi apreendida uma arma de fogo calibre .380 com munições.
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Segundo as investigações, mais de 100 pessoas já passaram pelo gabinete do parlamentar desde o início de seu mandato. Os funcionários teriam sido obrigados a devolver parte dos salários ao vereador, seja por meio de pix ou em espécie.
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A quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça teria revelado transferências diretas para contas pessoais de Rosinaldo Bual, reforçando as suspeitas.
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A chefe de gabinete, identificada como Luzia Seixas Barbosa, também foi presa.
Contexto político e histórico do parlamentar
Rosinaldo Bual, 49 anos, natural de Manacapuru (AM), é casado e pai de três filhos. Ele foi eleito vereador de Manaus pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024, com cerca de 7.892 votos. Ele atua há décadas em atividades sociais, especialmente no bairro da Compensa, e é proprietário de autoescolas na capital.
Antes da política, Bual trabalhou em uma fábrica de relógios durante os anos 1990 e serviu nas Forças Armadas até 2004, tendo o posto de sargento.
Ele foi presidente da 8ª Comissão de Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade na Câmara Municipal, cargo que dialoga com sua trajetória como instrutor e perito de trânsito desde 2005.
Outros episódios relacionados
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Em abril de 2025, a residência de Bual foi alvo de furto: foram levados R$ 130 mil e armas de fogo. Quatro pessoas foram indiciadas, entre elas um assessor próximo, e também figura nos casos o nome de Gabriel Ferreira Barbosa, ex-apresentador do boi Garanhão.
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Após o furto, o “Pajé do Garanhão”, Vitor Teixeira dos Santos, foi preso e afastado de atividades no boi-bumbá.
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Em junho de 2025, Bual gerou repercussão ao fazer comentário controverso — “eu quero é ser preso” — em publicação de uma delegada, o que levou a críticas por apropriação pejorativa e falta de decoro.
Situação atual e próximos passos
Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (3), o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) do Amazonas, promotor Leonardo Tupinambá, informou que mais de R$ 2 milhões foram bloqueados em uma conta bancária do vereador Rosinaldo Bual (Agir). O valor seria proveniente de um suposto esquema de desvio de salários de assessores parlamentares – prática conhecida como rachadinha.
Além do bloqueio bancário, a operação também apreendeu dois cheques no valor total de R$ 560 mil – um de R$ 240 mil e outro de R$ 320 mil – encontrados em cofres nos endereços ligados ao parlamentar. Também foi localizada uma grande quantia em dinheiro vivo, que ainda está sendo contabilizada com o uso de máquinas.
O vereador é investigado por peculato, concussão, associação criminosa, lavagem de dinheiro e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão durante a operação. Entre os presos está a chefe de gabinete de Bual, apontada como uma das articuladoras do esquema, segundo o GAECO.
“Hoje apreendemos três cofres em endereços alvos das buscas. Encontramos dois cheques de R$ 500 mil, endereçados a um dos investigados, além de uma expressiva quantia em espécie que ainda está sendo contada”, afirmou Tupinambá.
Segundo o promotor, as investigações apontam que o vereador mantinha uma alta rotatividade de funcionários em seu gabinete, prática que facilitava a devolução de parte dos salários para sua conta pessoal.
“Identificamos cerca de 50 funcionários, dos quais até metade dos salários era repassada de volta ao vereador. O dinheiro passava inicialmente por 4 ou 5 pessoas da equipe, que depois o destinavam ao parlamentar”, explicou o coordenador do GAECO.

Foto: Hirailton Gomes
Investigação já estava em andamento
Tupinambá esclareceu que a investigação não foi iniciada a partir da denúncia de um ex-funcionário – afilhado do vereador preso no início do ano após ser acusado de roubo contra o próprio parlamentar. O promotor afirmou que o caso já estava sob apuração antes desse episódio.
“Essa investigação já estava em andamento. Tivemos denúncias anteriores sobre a prática da rachadinha. A prisão do início do ano não foi o ponto de partida”, disse.
Sem ligação com tráfico de drogas
Diante de especulações que circularam após a operação, o promotor também negou que o vereador esteja sendo investigado por tráfico de drogas.
“Quero esclarecer que esta investigação não trata de tráfico de drogas. O foco é o esquema de rachadinha na Câmara Municipal”, enfatizou.
Operação não envolve outros vereadores
Ainda segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), a operação tem como alvo exclusivo o vereador Rosinaldo Bual. Não há, até o momento, indícios de envolvimento de outros parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
“A investigação de hoje diz respeito apenas ao réu em questão. Não envolve outros vereadores”, destacou Tupinambá.
A investigação segue em andamento sob sigilo, e mais informações deverão ser divulgadas após a conclusão dos procedimentos.
