Uma equipe de reportagem foi agredida durante a cobertura de um grave acidente na manhã desta quinta-feira, na zona leste de Manaus.
O caso aconteceu na avenida dos Oitis, no Distrito Industrial, durante o atendimento de uma ocorrência com vítima fatal.
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Segundo testemunhas, o perito Gláucio Gradela empurrou o repórter João Lucas da Silva Mariano, da Rede Onda Digital, após questionar a presença da equipe de imprensa no local.
O perito alegou que os jornalistas estariam desrespeitando a vítima. No entanto, profissionais que acompanhavam a ocorrência afirmam que a equipe mantinha distância e não registrava imagens do corpo.
Mesmo com a tentativa de recuo, o repórter teria sido empurrado de forma brusca, o que gerou revolta entre outros jornalistas presentes. Eles intervieram para evitar que a situação se agravasse.
O acidente envolveu duas motocicletas e um ônibus que transportava trabalhadores. Um dos motociclistas morreu ainda no local, após ficar preso sob o veículo.
O outro ficou gravemente ferido e foi socorrido para uma unidade hospitalar. Até o momento, não há atualização sobre o estado de saúde.
A área foi isolada para perícia e o trânsito ficou parcialmente interditado.
As circunstâncias do acidente e a conduta do perito serão investigadas pelas autoridades.
O que diz a lei
No caso relatado, mesmo que o perito tivesse a responsabilidade de preservar a cena e proteger a dignidade da vítima, isso não autoriza agressão física. A atuação deve sempre ser proporcional, legal e respeitosa.
O que pode ser feito legalmente contra o perito:
1. Registro de ocorrência (crime comum)
A agressão pode ser enquadrada como lesão corporal ou vias de fato. O jornalista pode registrar boletim de ocorrência e dar início a um processo criminal.
2. Processo por abuso de autoridade
Se ficar comprovado excesso na atuação, o perito pode responder com base na Lei de Abuso de Autoridade, que prevê sanções como multa, perda do cargo e até detenção.
3. Responsabilização administrativa
A conduta deve ser apurada pela corregedoria do órgão ao qual o perito está vinculado. Isso pode resultar em advertência, suspensão ou demissão.
4. Ação cível por danos morais
A vítima pode buscar indenização na Justiça por constrangimento, violência e prejuízo ao exercício profissional.
5. Atuação de entidades de classe
Organizações como a Federação Nacional dos Jornalistas podem acompanhar o caso, prestar apoio jurídico e pressionar por responsabilização.
Em um Estado democrático, imprensa e autoridades precisam coexistir com respeito e limites claros. A preservação de uma cena de crime é essencial — mas nunca pode servir de justificativa para violência. Quando um agente público ultrapassa essa linha, a resposta precisa ser firme, dentro da lei, para garantir que episódios como esse não se repitam.
