
Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt – Foto: AFP
A Casa Branca afirmou nesta terça-feira (9) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem medo de usar o poder econômico e militar” para defender a liberdade de expressão no mundo. A declaração foi feita pela porta-voz Karoline Leavitt, em coletiva de imprensa, após questionamento sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Leavitt, Washington não discute novas medidas tarifárias ou sanções contra o Brasil neste momento, mas o tema segue sendo prioridade para o governo americano. “A liberdade de expressão é, possivelmente, a questão mais importante do nosso tempo. O presidente leva esse tema muito a sério”, disse a porta-voz.
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Julgamento de Bolsonaro no STF
O STF iniciou nesta semana a segunda fase do julgamento que pode condenar Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, acusado de conspirar para reverter o resultado das eleições de 2022. Entre os acusados estão os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira; o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ); o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; e o tenente-coronel Mauro Cid.
A Procuradoria-Geral da República sustenta que o grupo elaborou um plano para manter Bolsonaro no poder, contrariando a Constituição. A denúncia aponta que a trama só não avançou porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica à época, Freire Gomes e Baptista Júnior, se recusaram a mobilizar tropas.
O caso é considerado histórico, pois pode levar pela primeira vez à prisão de oficiais das Forças Armadas acusados de atentar contra a democracia.
Repercussão internacional
O julgamento tem atraído atenção mundial. Parlamentares norte-americanos ligados ao Partido Republicano vêm criticando o STF, classificando as acusações como perseguição política. Nas últimas semanas, ex-assessores de Trump, como Jason Miller, chegaram a chamar o ministro Alexandre de Moraes de “a maior ameaça à democracia no Ocidente”.
No Brasil, o governo Lula vê na ofensiva judicial um divisor de águas para reforçar a defesa das instituições democráticas. Lula tem aproveitado o momento para alfinetar adversários, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível candidato à Presidência em 2026 com apoio da direita bolsonarista.
1. Declaração de Trump e recusa de novas tarifas
A coletiva ocorreu após indagação sobre possíveis sanções ao Brasil devido ao andamento do julgamento. Leavitt destacou que o tema da liberdade de expressão é prioridade para o governo dos EUA, mas reforçou que “não há ação adicional (sanções ou elevação de tarifas) para antecipar” no momento.
2. Tarifas já em vigor e retaliações
Em julho de 2025, Trump impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros — a mais alta contra um só país — alegando emergência nacional, justificando sua decisão com a acusação de que o julgamento de Bolsonaro seria uma “caça às bruxas”.
Lula respondeu com críticas: disse que Bolsonaro deveria enfrentar processos adicionais por instigar ações dos EUA contra o Brasil, chamando-o (e seu filho Eduardo) de “traidores da pátria” Reuters.
3. Escalada diplomática e judicial
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A Corte Suprema do Brasil também determinou buscas e restrições a Bolsonaro, incluindo monitoramento eletrônico e proibição de contato com autoridades estrangeiras, após suspeitas de que ele buscava interferência dos EUA em seu benefício Reuters.
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Em resposta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, revogou o visto do ministro do STF Alexandre de Moraes e aliados, qualificando as ações como “caça às bruxas política” The Washington Post.
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A tensão aumentou após o post divulgado pela embaixada americana no Brasil criticando Moraes, o que levou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil a convocar o encarregado de negócios dos EUA por considerar a mensagem inaceitável intervenção na justiça brasileira The Guardian.
4. Repercussão entre apoiadores de Bolsonaro
Em diversas manifestações no Brasil — especialmente em Brasília, Rio e São Paulo — apoiadores ergueram bandeiras dos EUA pedindo que Trump interceda em favor de Bolsonaro, considerado por eles o “último recurso”.
5. O julgamento no STF
Na semana em curso, a Primeira Turma do STF prossegue o julgamento sobre o suposto plano golpista de Bolsonaro e seus aliados para anular o resultado das eleições de 2022. Nessa terça-feira, os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação de Bolsonaro e dos demais réus em todas as acusações; Dino indicou penas mais brandas para alguns.
Resumo em tópicos
| Tema | Detalhes |
|---|---|
| Declaração dos EUA | Trump pronto para usar poder econômico/militar — mas não há novas tarifas planejadas. |
| Tarifas já existentes | Até 50% sobre importações brasileiras em vigor desde julho. |
| Brasil em retaliação | Lula denuncia traição e surgem processos contra Bolsonaro por provocação externa. |
| Diplomacia tensa | Revogação de visto de Moraes; embaixada criticada; convocação diplomática. |
| Manifestações | Bolsonaristas clamam por intervenção de Trump. |
| Julgamento em curso | STF debate plano golpista — votos iniciais favoráveis à condenação. |
Conclusão
A declaração de Karoline Leavitt reforça que o governo Trump permanece atento ao que considera ameaças à liberdade de expressão — inclusive envolvendo o Brasil — mas, no momento, descarta novas sanções tarifárias. Entretanto, aguardar futuras escaladas não é prudente: já houve imposição de taxas severas, retaliações diplomáticas e tensões acentuadas com o governo brasileiro. O julgamento de Bolsonaro segue sendo acompanhado com atenção internacional, e o desenrolar dos eventos nas próximas semanas poderá agravar ou amenizar essa crise geopolítica.
