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Torcida do PSG entoar hinos homofóbicos em jogo no Parque dos Príncipes. Governo francês pede punição

O incidente ocorreu em várias ocasiões do jogo disputado neste domingo (24) entre o Paris-Saint Germain (PSG) e o Olympique de Marselha (OM), no estádio Parque dos Príncipes. A ministra francesa do Esporte, Amélie Oudéa-Castéra, pediu ao PSG que registre uma denúncia para que os autores dos insultos sejam identificados e julgados.


Em uma mensagem publicada na rede X (ex-Twitter), Olivier Klein, representante do governo encarregado da luta contra o racismo, o antissemitismo e ódio anti-LGBT+, se disse “chocado” pelos hinos homofóbicos ouvidos no estádio Parque dos Príncipes durante a partida, válida pela sexta rodada do Campeonato Francês.

Ele disse que tomará providências junto ao PSG e à Liga de Futebol Francesa (LFF) para que sejam adotadas sanções. “Nós vamos analisar todas as possibilidades de acionar a Justiça”, disse Klein, que dirige o Dilcrah, organismo ligado ao gabinete do primeiro-ministro francês.

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A mensagem de Klein é acompanhada de um vídeo de 30 segundos. Nele, é possível ouvir os torcedores do PSG entoarem hinos homofóbicos contra os jogadores do arquirrival time de Marselha.

A ministra francesa do Esporte, Amélie Oudéa-Castéra, também manifestou sua revolta em relação à atitude da torcida do clube parisiense. “Não podemos ignorar esses hinos do ódio e homofóbicos em nossas arquibancadas”, comentou na rede X (ex-Twitter).

“É urgente erradicar esse comportamento em nossos estádios”, disse ela, acrescentando que a comissão da Liga de Futebol Francesa já tinha sido acionada. Assim como Olivier Klein, ela pediu que o PSG prestasse queixa para identificar os autores e a Justiça pudesse agir.

Devido à rivalidade entre as duas equipes e graves incidentes de violência no passado, a torcida do Marselha sequer estava presente no estádio.

PSG condena ato da torcida

Em resposta ao incidente, o PSG divulgou uma nota dizendo que condena todas as formas de discriminação, incluindo a homofobia, e lembrou que elas devem ser banidas dos estádios e da sociedade. “O clube quer reforçar o trabalho de prevenção e encontrará, nos próximos dias, seus parceiros para discutir esse assunto.”

O PSG não disse se prestaria queixa contra os torcedores e os jogadores não fizeram comentários a respeito do incidente.

Os hinos homofóbicos são ouvidos com frequência nos estádios franceses. De acordo com uma pesquisa Ipsos, publicada no início de setembro em parceria com a Federação Esportiva LGBT +, 46% dos franceses declararam já terem sido testemunhas de um comportamento homofóbico no meio esportivo.

Hinos homofóbicas foram entoados por torcedores durante uma partida entre Paris Saint-Germain (PSG) e Olympique de Marseille (OM) no Estádio Parc des Princes, em Paris, em 24 de setembro de 2023 – Foto: Franck Fife, AFP

França promete ‘resposta firme’ aos cantos homofóbicos em jogo de futebol da Ligue 1

O governo francês prometeu na segunda-feira punir os torcedores de futebol que entoaram insultos homofóbicos em um confronto importante da Ligue 1 no estádio Parc des Princes, em Paris.

Durante a partida de domingo entre os rivais Paris Saint-Germain e Marselha , grupos de torcedores gritavam frases como “O Marselha é bicha” e “vamos pendurá-los pelas bolas, mas infelizmente eles não têm nenhuma”.

Os cânticos – que não pareciam dirigidos a jogadores ou adeptos individuais – duraram cerca de 15 minutos, segundo um repórter da AFP no estádio da equipa parisiense.

“É impossível ser surdo a tais cantos de ódio e homofóbicos em nossas arquibancadas”, disse a ministra dos Esportes, Amelie Oudea-Castera, no X, anteriormente chamado de Twitter.

Ela disse que os gritos “arruinaram a festa” no Parc des Princes, sede do PSG que derrotou o Marselha por 4 a 0 no domingo a noite.

“Assegurei-me de que uma resposta firme seria seguida”, disse a ministra, acrescentando que instou o PSG a iniciar uma acção judicial contra os adeptos gritantes, com vista a excluí-los de jogos futuros.

“Precisamos erradicar urgentemente esses cânticos dos nossos estádios”, disse ela.

‘Não há lugar nos estádios para a homofobia’

Klein anexou à sua postagem um vídeo no qual os torcedores do PSG são vistos e ouvidos cantando os insultos, que foram claramente ensaiados.

Contactado segunda-feira pela AFP, o PSG disse que “condena todas as formas de discriminação, nomeadamente a homofobia, e reitera que não têm lugar nos estádios ou em qualquer lugar da sociedade”.

O clube disse que iria reforçar o seu “trabalho de prevenção” e procurar reuniões “com todos os nossos parceiros sobre este tema crucial”. Mas questionado se iria realmente entrar com uma ação judicial, o PSG não respondeu.

A liga LFP, por sua vez, recusou os pedidos de comentários da AFP, mas relatos da mídia disseram que a comissão disciplinar do órgão examinará o caso a partir da quarta-feira (27).

O técnico do PSG, Luis Enrique, de nacionalidade espanhola, disse após a partida de domingo: “Sinto muito, mas não posso afirmar se esses gritos são ​​ou não são hostis”.

Os jogadores do PSG recusaram comentar o caso. Alguns deles, incluindo Randal Kolo Muani e Ousmane Dembele, foram filmados cantando os insultos dirigidos ao time do Marselha enquanto comemoravam a vitória diante dos torcedores mais radicais do clube, conhecidos como “ultras”.

O incidente de domingo está longe de ser isolado, de acordo com uma pesquisa realizada este mês pela IPSOS para a Federação Desportiva LGBT+, uma associação que luta contra a discriminação no desporto.

A pesquisa mostrou que 46% dos entrevistados disseram ter visto comportamento homofóbico ou transfóbico no esporte.

Menos de metade dos inquiridos acreditava que muito foi feito para combater tais atitudes.

Na temporada passada, vários jogadores da Ligue 1 recusaram o convite para usar insígnias coloridas nas suas camisolas como um gesto contra a homofobia, uma campanha apoiada, no entanto, pela grande maioria dos jogadores.

Com informações da AFP