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PF pede suspeição de Toffoli no caso Banco Master após menções a pagamentos em mensagens apreendidas

Polícia Federal encaminhou pedido ao presidente do STF; ministro nega irregularidades e diz que repasses foram legais e declarados à Receita.


Ministro Dias Toffoli, do STF – Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, voltou ao centro de um novo capítulo da polêmica em torno das investigações que envolvem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, após a Polícia Federal (PF) solicitar formalmente ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a declaração de suspeição de Toffoli na condução do inquérito que apura supostas fraudes na instituição.

A solicitação da PF foi apresentada depois que mensagens apreendidas no celular de Vorcaro durante as investigações exibiram menções ao nome de Toffoli e possíveis referências a pagamentos, incluindo conversas entre o banqueiro e seu primo Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro próximo ao controlador do Master. A corporação também relatou que o próprio magistrado teria sido mencionado de forma cifrada nas conversas periciadas pelos agentes.

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Segundo documentos da investigação, parte da linha apurada da PF é se as eventuais transferências de recursos destinadas ao ministro derivaram de uma sociedade familiar de Toffoli na empresa Maridt, que até 2021 detinha participação no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento posteriormente vendido a um fundo de investimento ligado a Zettel e Vorcaro.

Resposta de Toffoli e trâmite no STF

Embora tenha sido notificado, Toffoli tem negado irregularidades e considerado o pedido da Polícia Federal como mero conjunto de “ilações”, argumentando que a PF não possui legitimidade legal para requerer sua suspeição por não ser parte no processo, conforme artigo 145 do Código de Processo Civil.

O ministro também defende que os valores recebidos por meio da Maridt foram lícitos, rastreáveis, devidamente declarados à Receita Federal, e que sua participação societária não configura, em sua avaliação, motivo para afastamento da relatoria do caso.

O pedido de suspeição agora está sob análise de Fachin, que decidirá se Toffoli permanecerá à frente do inquérito — uma decisão que pode ter impacto relevante no andamento das investigações do caso Banco Master, que envolve apurações de fraudes no sistema financeiro e possíveis desvios de bilhões de reais.

Contexto do caso Master

O caso Banco Master tem sido um dos mais sensíveis do Judiciário brasileiro nos últimos meses, com diversas fases da Operação Compliance Zero, prisões temporárias e bloqueios de bens estimados em bilhões de reais. Toffoli já tomou decisões consideradas atípicas por parte da comunidade jurídica — incluindo o envio ao STF de materiais apreendidos pela PF para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) — e imposição de sigilo máximo às investigações.

O andamento do pedido de suspeição e as respostas apresentadas por Toffoli devem ser acompanhados de perto por autoridades e observadores do Judiciário, que avaliam os impactos institucionais dessa controvérsia em um dos mais altos tribunais do país.