
Agentes da CGU na FCecon – operação “Metástase” investiga fraude na saúde pública do Amazonas – Foto: CGU
A Controladoria‑Geral da União (CGU), em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (GAECO/MPAM), deflagrou nesta quinta-feira (16/10) a Operação Metástase — segunda fase de investigações iniciadas pela Operação Jogo Marcado — com o objetivo de apurar desvios de recursos públicos em unidades de saúde do Amazonas, em especial maternidades e pronto‑atendimentos em Manaus.
O que se sabe até agora
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Foram expedidos 27 mandados de busca e apreensão em Manaus (AM) e Joinville (SC), além de 3 prisões preventivas.
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Também foram aplicadas medidas cautelares como: suspensão do exercício de função pública, impedimento de contratar com a administração, quebra de sigilo telemático e sequestro de bens avaliados em R$ 1.014.892,65.
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As investigações apontam que empresas pertencentes a uma mesma família teriam atuado em conluio com agentes públicos para fraudar licitações, superfaturar contratos e omitir entregas, com o propósito de viabilizar pagamento de propina.
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O pagamento indevido de vantagens estava atrelado a contratos de prestação de serviços em unidades de maternidade e pronto‑atendimento geridas pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES‑AM).
Contexto e histórico de operações no setor saúde do Amazonas
A nova operação não surge isoladamente. Desde 2016, o estado já foi palco de outras ações de combate à corrupção no setor saúde, como a Operação Maus Caminhos, que investigou desvios de mais de R$ 100 milhões do SUS no Amazonas.
Em 2018, fases subsequentes da operação, como a “Cashback”, aprofundaram apurações envolvendo organizações sociais e contratos com o Estado.
Mais recentemente, ainda em 2025, ex‑membros da SES foram condenados por desvio de verbas ligadas a pagamentos previstos em licitações irregulares com sobrepreço.
Impactos e repercussões
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Um estudo recente apontou que entre agosto de 2023 e julho de 2024 foram registradas 5.731 falhas na assistência à saúde no Amazonas (como erros de medicação, quedas, lesões por pressão), sendo o Hospital Delphina Aziz um dos mais mencionados.
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O desvio sistemático de recursos impede que investimentos fluam para a manutenção e expansão dos serviços públicos de saúde, agravando a vulnerabilidade da população que depende exclusivamente do SUS.
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Em paralelo, ações de controle e fiscalização vêm sendo cobradas com mais veemência: por exemplo, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou diligências no Amazonas para apurar denúncias de abusos em operações federais relacionadas ao combate ao garimpo, o que reflete o clima de pressão sobre autoridades e segurança pública na região.
Possíveis desdobramentos
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Caso as investigações confirmem o envolvimento de servidores de alto escalão, poderá haver pedidos de afastamento, bloqueio de bens e responsabilização civil e penal dos envolvidos.
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Os efeitos das operações anteriores sugerem que novas fases podem atingir agentes políticos, empresas fantasmas e organizações sociais que atuam como intermediárias.
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É provável que o Ministério Público recorra a parceria com Polícia Federal, Receita e outras instituições para rastrear fluxos financeiros ou ocultação de patrimônio — estratégia já adotada em operações anteriores como “Cashback” e “Custo Político”.
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A mobilização da imprensa, movimentos sociais e órgãos de controle tende a aumentar a pressão por transparência e respostas rápidas para a população.
