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Operação contra garimpo ilegal no rio Madeira: destruição de dragas gera tensão em Humaitá e Manicoré no Amazonas

Apesar das ações coordenadas da Polícia Federal e Ibama, a atividade garimpeira persiste, trazendo impactos econômicos e ambientais para as comunidades ribeirinhas do Amazonas. Mais de 80 balsas foram destruídas na ação.


A Força Nacional, a Polícia Federal (PF) o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram uma operação de combate ao garimpo ilegal no Rio Madeira nesta segunda-feira (15), com foco nos municípios de Humaitá e Manicoré, no sul do Amazonas. Durante a ação, dragas e balsas ancoradas nas proximidades das cidades foram destruídas, gerando tensão entre os moradores, que continuam a viver com o impacto da atividade ilegal, apesar dos esforços de fiscalização.

Imagens que circularam nas redes sociais mostram o momento em que os equipamentos foram queimados, enquanto relatos de moradores indicam que, antes da chegada das equipes de fiscalização, os garimpeiros já haviam removido boa parte das embarcações, dificultando a operação. Mesmo assim, parte dos equipamentos foi inutilizada.

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A operação visa desarticular o crime organizado, que continua a explorar ilegalmente os recursos minerais da região. A destruição das dragas é uma medida prevista pela legislação ambiental, utilizada quando há dificuldades logísticas ou risco à segurança das equipes durante a remoção dos equipamentos. O garimpo é considerado ilegal quando realizado sem autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) e em áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação.

As atividades garimpeiras no Rio Madeira geram graves impactos ambientais, incluindo contaminação por mercúrio e danos à fauna e flora locais, além de violar o patrimônio da União. Os responsáveis podem enfrentar penas de até 12 anos de prisão. No entanto, a pressão social e econômica nas comunidades locais, que dependem da pesca e outras atividades relacionadas, tem intensificado os conflitos, levando a protestos e manifestações violentas em anos anteriores.

Durante a operação, helicópteros sobrevoaram a orla de Humaitá e lançaram bombas de gás lacrimogêneo. Nas redes sociais, circulam vídeos de dragas sendo explodidas — equipamentos usados na extração de ouro. A destruição das balsas atende a uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o MPF, a extração de ouro sem autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) configura crime ambiental, o que justifica as medidas repressivas.

A operação de segunda-feira (15) é parte de um esforço contínuo para combater o garimpo ilegal na região, que já levou à destruição de centenas de balsas e dragas nos últimos anos. Em agosto de 2024, durante uma megaoperação, cerca de 459 dragas foram destruídas, gerando intensos protestos em Humaitá, onde garimpeiros atacaram policiais e causaram confrontos violentos. Situações como essa são um reflexo da resistência de grupos criminosos à repressão e do impacto econômico negativo sobre a população local.

Em maio de 2024, a cidade de Humaitá foi palco de mais um episódio de resistência, com garimpeiros bloqueando a rodovia AM-230 em protesto contra a destruição de 50 balsas. Além disso, mensagens de ameaças a agentes da PF e do Ibama têm circulado em grupos de WhatsApp, evidenciando a ousadia dos envolvidos no crime.

Apesar dos avanços, a atividade garimpeira continua a crescer. Em janeiro de 2025, o Greenpeace identificou 130 balsas ainda operando entre Novo Aripuanã e Humaitá, indicando que a fiscalização precisa ser intensificada. A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) entrou com ações no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), questionando o uso de explosivos nas operações, devido aos impactos negativos nas comunidades ribeirinhas e indígenas.

O diretor-geral da PF, Humberto Freire, destacou a importância de combater o garimpo ilegal, ressaltando que “enfrentar o garimpo ilegal é salvar vidas”. As autoridades federais buscam um equilíbrio entre a preservação ambiental e o apoio ao desenvolvimento social nas regiões afetadas, onde o garimpo ilegal financia redes criminosas e agrava problemas sociais, como o aumento de infecções sexualmente transmissíveis, especialmente em Manicoré.

Essas operações federais fazem parte de um esforço contínuo para proteger o meio ambiente e garantir a segurança das comunidades locais, que enfrentam um clima de tensão crescente devido ao avanço do garimpo ilegal no Rio Madeira.