
Cartaz do Frigorífico Goiás, em Goiás — Foto: Fábio Lima/O Popular
Um frigorífico localizado em Goiânia, Goiás, foi obrigado pela Justiça a remover um cartaz com a frase “petista não é bem-vindo”, após a divulgação do conteúdo gerar forte repercussão nas redes sociais e ser classificado como discriminatório. A medida foi tomada após denúncia do deputado estadual Mauro Rubem (PT) e acolhida pelo Ministério Público, que moveu ação contra o estabelecimento.
O caso reacendeu debates sobre polarização política, liberdade de expressão e direitos do consumidor. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que o frigorífico infringiu normas legais ao discriminar possíveis clientes com base em posicionamento político.
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A advogada Sara Saeghe, especialista em direito do consumidor, destacou que a prática fere o Código de Defesa do Consumidor e a Constituição Federal. “O tratamento igualitário é um direito básico, garantido por lei. Negar atendimento por filiação partidária é abuso”, afirmou.

Antigo anúncio (à esquerda) e novo anúncio (à direita), no Frigorífico Goiás — Foto: Fábio Lima/O Popular e Reprodução/Instagram de Frigorífico Goiás
Após a determinação judicial, o cartaz foi retirado e substituído por outro, com os dizeres: “Ladrão aqui não é bem-vindo. Quem apoia ladrão também não”. A nova mensagem também gerou divisão entre internautas e manteve o tom político, embora a defesa do frigorífico alegue que não há qualquer viés partidário na nova peça.
Segundo o professor de Ciência Política da UFG, Guilherme Carvalho, o episódio ilustra uma tendência preocupante de radicalização. “Esse tipo de mensagem transforma adversários políticos em inimigos, o que enfraquece o debate democrático”, pontuou.
Medidas judiciais e multa
A Justiça impôs ao frigorífico multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 100 mil, em caso de descumprimento da ordem. O Ministério Público também pede indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 300 mil, além da publicação de uma retratação em veículo de grande circulação.
Em nota, o Frigorífico Goiás afirmou que cumpriu integralmente a decisão judicial. Sobre o novo cartaz, declarou que não possui conotação política nem caráter discriminatório. A defesa alega que o estabelecimento está sendo alvo de perseguição por opositores políticos.
O caso continua em análise na Justiça, e o frigorífico afirmou que pretende provar, no momento oportuno, que não cometeu ato de discriminação.
