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França ameaça banir Shein após escândalo das vendas de bonecas com aparência infantil para pedófilos

Governo francês exige explicações da varejista chinesa e promete investigação sobre possível material pedopornográfico.


Imagem da boneca pedopornográfica comercializada pela Shein – Foto: Reprodução de vídeo

O governo da França ameaçou banir a plataforma chinesa Shein do país após a descoberta de bonecas sexuais com aparência infantil sendo comercializadas no site da empresa. O caso veio à tona no último fim de semana, provocando forte reação pública e política.

De acordo com o jornal Le Parisien, o anúncio mostrava uma boneca com traços de criança — vestida de branco, com tranças e segurando um urso de pelúcia — descrita como um “brinquedo sexual masculino com vagina e ânus realistas”, vendida por €186,94 (cerca de R$1.150).

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Após a denúncia da Direção-Geral de Concorrência, Consumo e Repressão à Fraude (DGCCRF), a Shein informou no domingo (2) que o produto foi removido do site francês. No entanto, segundo o coletivo Mouv’Enfants, as mesmas bonecas ainda estariam disponíveis em versões da loja no Reino Unido, Espanha e Chile, podendo ser encomendadas para a França via VPN.

Foto: Nicolas Garriga/AP

O ministro da Economia francês, Roland Lescure, declarou à emissora BFMTV que, caso a situação se repita, o governo poderá proibir o acesso da Shein ao mercado francês.

“Esses objetos horríveis são ilegais. Se o comportamento se repetir, solicitarei o bloqueio da plataforma no país”, afirmou Lescure, acrescentando que uma investigação judicial já está em andamento.

A alta comissária para a Infância, Sarah El-Haïry, também condenou o episódio:

“Esses produtos estão ligados à pedocriminalidade, usados por predadores antes de cometer abusos reais. É inaceitável.”

O escândalo ocorre poucos dias antes da abertura da primeira loja física da Shein na França, prevista para o centro comercial BHV Marais, em Paris.

A varejista chinesa já havia sido multada três vezes neste ano, somando €191 milhões (R$1,18 bilhão), por práticas comerciais enganosas e irregularidades ambientais, como a falta de transparência sobre microfibras plásticas em seus produtos.

O Ministério Público de Paris e o regulador francês de comunicação digital, Arcom, confirmaram que acompanham o caso.

A lei autoriza as autoridades francesas a ordenar às plataformas online que removam conteúdos claramente ilegais, como a pornografia infantil, num prazo de 24 horas. Em caso de descumprimento, as autoridades podem exigir aos fornecedores de serviços Internet e aos motores de busca que bloqueiem o acesso e retirem o site da lista.