Justiça

Amazonas

Condenado a 47 anos, ex-desembargador é preso após se entregar à polícia em Manaus

Decisão judicial determina início imediato da pena; vítima relatou abusos desde os 7 anos.


Um desembargador aposentado foi preso nesta sexta-feira (20), em Manaus, após se entregar voluntariamente à polícia. Ele foi condenado a 47 anos de prisão pelo crime de estupro contra a própria neta, conforme decisão definitiva da Justiça.

A apresentação ocorreu na Delegacia Geral, após a expedição do mandado de prisão na última quarta-feira (18), quando houve o trânsito em julgado da sentença — etapa que encerra as possibilidades de recurso e autoriza o início do cumprimento da pena.

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Segundo as investigações, os abusos começaram quando a vítima tinha apenas 7 anos de idade. Os relatos foram registrados em depoimento à polícia e embasaram a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas.

De acordo com a decisão judicial, o condenado deverá cumprir a pena em regime fechado. A Justiça também determinou a comunicação formal à Procuradoria-Geral do Estado para avaliação de possíveis medidas administrativas, como a perda do cargo e a cassação da aposentadoria.

Defesa aponta recursos pendentes

Em nota, a defesa afirmou que ainda há recursos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), o que, segundo os advogados, impediria a conclusão definitiva do processo.

Os representantes também destacaram o estado de saúde do ex-desembargador, de 80 anos, que teria sofrido recentemente um acidente vascular cerebral (AVC), além de apresentar complicações neurológicas e cardíacas.

A defesa declarou confiar no Judiciário e informou que segue adotando medidas legais para tentar reverter a decisão.

Denúncia veio à tona em 2018

De acordo com o processo, a vítima é neta do condenado e relatou que os abusos tiveram início em 2009. O último episódio teria ocorrido em 2016, quando ela já tinha 14 anos.

O caso foi denunciado em 2018 pela mãe da jovem ao Ministério Público, após a vítima revelar os abusos. A partir daí, as investigações avançaram e resultaram na condenação do acusado.

Relatos incluídos no processo indicam que os crimes ocorreram de forma recorrente ao longo dos anos, dentro do ambiente familiar, o que agravou a gravidade do caso.

Trechos da defesa

Na manifestação oficial, a defesa sustenta que a expedição do mandado de prisão ocorreu enquanto ainda havia recursos pendentes de análise, o que, segundo os advogados, impediria a formação definitiva da coisa julgada.

Os advogados informaram que continuam adotando medidas jurídicas cabíveis no âmbito dos tribunais superiores.

Nota de orientação às famílias

Casos como este reforçam a importância da atenção constante e do diálogo aberto dentro de casa. Especialistas recomendam que pais e responsáveis mantenham uma relação de confiança com crianças e adolescentes, incentivando-os a falar sobre qualquer situação que cause desconforto ou medo.

É fundamental observar mudanças de comportamento, como isolamento, medo repentino de determinadas pessoas ou lugares, queda no rendimento escolar e alterações emocionais. Esses sinais podem indicar que algo não está bem.

Também é essencial orientar as crianças, de forma adequada à idade, sobre limites do próprio corpo, respeito e a importância de dizer “não” diante de qualquer situação inadequada — independentemente de quem seja a pessoa.

Em caso de suspeita ou confirmação de abuso, a orientação é procurar imediatamente os órgãos competentes, como o Conselho Tutelar, delegacias especializadas ou canais de denúncia, como o Disque 100, que funciona de forma gratuita e anônima em todo o país.

Proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva. Informação, atenção e acolhimento são ferramentas fundamentais para prevenir e combater qualquer tipo de violência.