
Advogados dizem que o sistema do hospital mudou automaticamente a via da adrenalina prescrita para Benício Xavier. O Hospital Santa Júlia informou que não vai se manifestar sobre o caso – Foto: Reprodução
A Polícia Civil do Amazonas ampliou as linhas de investigação sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, e apura se falhas durante o procedimento de intubação contribuíram para o agravamento do quadro clínico do menino. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (4) pelo delegado Marcelo Martins, após acareação entre a médica Juliana Brasil Santos e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, ambas envolvidas no atendimento.
O caso, inicialmente marcado pela administração incorreta de adrenalina, passou a incluir a suspeita de falhas na UTI. Segundo Martins, depoimentos revelaram que Benício chegou à unidade consciente, mas apresentou piora “rápida e abrupta” logo após tentativas frustradas de intubação.
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“Houve três tentativas de intubação sem sucesso. Uma outra médica foi chamada e só conseguiu o procedimento horas depois. A criança foi submetida a medicamentos muito fortes nesse intervalo”, relatou o delegado. O pai de Benício afirmou que as primeiras paradas cardíacas ocorreram justamente durante o processo de intubação. O menino sofreu seis paradas consecutivas antes de morrer, às 2h55 do dia 23 de novembro.
Posicionamento da Polícia
A Polícia Civil trabalha com quatro frentes de investigação:
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Erro da médica na prescrição da adrenalina;
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Falha da técnica de enfermagem no processo de dupla checagem;
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Responsabilidade do hospital, envolvendo estrutura, protocolos e sistema de prescrição;
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Possíveis erros durante a intubação.
Martins afirmou que as conclusões dependerão de exames periciais solicitados ao Instituto Médico Legal (IML). Ele também destacou que a polícia busca determinar se houve homicídio culposo ou dolo eventual.
“Nós estamos verificando se as condutas configuram simples negligência ou se houve consciência do risco. Nada está descartado”, afirmou.
Posicionamento da Justiça
A médica Juliana Brasil Santos permanece em liberdade devido a um habeas corpus concedido pela Justiça, que rejeitou o pedido de prisão preventiva formulado pelo delegado. O Judiciário entendeu que, no momento, não estavam presentes os requisitos legais para a detenção cautelar.
A investigação, porém, continua em curso, e a médica responde a um processo ético aberto pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM). O Hospital Santa Júlia afastou tanto Juliana quanto a técnica Raiza, mas informou que não irá se manifestar publicamente.
O que diz a defesa
A defesa da médica afirma que a admissão de erro foi feita “no calor do momento” e sustenta que falhas no sistema eletrônico do hospital podem ter alterado automaticamente a via de administração da adrenalina registrada por Juliana. Os advogados apresentaram vídeo com alegadas instabilidades na plataforma.
Raiza, por sua vez, reforçou em depoimento que estava sozinha ao aplicar a medicação e que seguiu o que constava no sistema.
O caso
Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia em 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo a família, ele recebeu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa. O menino piorou rapidamente, foi levado à UTI e sofreu seis paradas cardíacas.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Amazonas (MPAM) acompanham o caso.
