O Vaticano realizou até esta segunda-feira (5) onze Congregações Gerais com os cardeais, em preparação para o Conclave que escolherá o próximo Papa. Essas reuniões reservadas permitem aos cardeais se conhecerem melhor e discutirem as prioridades e direções para o futuro da Igreja Católica.
“Nas congregações gerais há quase um pré-conclave”, explicou à agência Lusa o professor Eduardo Baura, especialista em direito canônico da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma. Segundo ele, essas sessões servem para traçar o perfil desejado do novo pontífice.
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Em 2013, o então cardeal Jorge Bergoglio — hoje Papa Francisco — ganhou destaque nesses encontros ao defender uma profunda reforma da Cúria Romana e a modernização da Igreja. Seu discurso impressionou tanto que outros cardeais pediram cópias do texto, antecipando sua futura eleição. Bergoglio já havia sido o segundo mais votado no Conclave de 2005.
Temas debatidos
Nas primeiras reuniões deste ano, os cardeais trataram de temas administrativos, como os ritos funerários do Papa Francisco e a definição dos celebrantes das cerimônias solenes. Com o avanço dos encontros, os debates passaram a focar em questões políticas e pastorais da Igreja para os próximos anos.
As congregações reúnem tanto cardeais eleitores quanto não eleitores, sempre a portas fechadas. O único registro público das discussões é feito pela Sala de Imprensa da Santa Sé, que divulga comunicados resumidos.
A 11ª congregação, realizada nesta segunda-feira, contou com cerca de 20 intervenções, muitas centradas no combate ao etnocentrismo, no acolhimento de migrantes e nas consequências das guerras em curso, com relatos emocionantes de cardeais oriundos de zonas de conflito.
Já a 10ª reunião, realizada na manhã do mesmo dia, teve 26 intervenções sobre temas como o papel missionário da Igreja, a importância do direito canônico, a função do Estado da Cidade do Vaticano e a responsabilidade da escolha do novo Papa diante da forte exposição midiática.
“O perfil desejado para o próximo pontífice é de alguém presente, próximo do povo, capaz de construir pontes, guiar a humanidade em meio à crise global e dialogar com outras religiões e culturas”, destacou um comunicado da Santa Sé.
Continuidade e futuro
Ao longo das últimas reuniões, também foram discutidos assuntos como a preocupação com divisões internas na Igreja, a importância das vocações religiosas, o papel da família e a missão educativa da instituição.
Durante a 9ª Congregação Geral, realizada na sexta-feira anterior, os cardeais refletiram sobre a missão dupla da Igreja: promover a comunhão interna e testemunhar a fraternidade no mundo. O magistério do Papa Francisco foi lembrado com gratidão, com apelos para que os processos iniciados durante seu pontificado sejam preservados.
A 12ª Congregação Geral está prevista para esta terça-feira (6) e contará, pela primeira vez, com a presença de todos os 133 cardeais eleitores.
