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Dinho Ouro Preto cita caso Master e cobra explicações de STF e políticos no Rock in Rio

Antes de cantar “Que país é esse”, vocalista do Capital Inicial mencionou Daniel Vorcaro e afirmou que autoridades de diferentes correntes políticas devem esclarecimentos.


Dinho Ouro Preto durante show do Capital Inicial, nesta sexta-feira (9), no Rock in Rio. — Foto: Stephanie Rodrigues/g1

 

O vocalista do Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, usou o palco do Rock in Rio neste sábado (5) para comentar a repercussão do caso envolvendo o Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro e autoridades dos Três Poderes.

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Antes de iniciar a música “Que país é esse”, um dos maiores sucessos de Renato Russo (Legião Urbana), o cantor direcionou críticas a diferentes grupos políticos e também aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Essa próxima música é para o Daniel Vorcaro. Essa música é para os ministros do STF que nos devem explicações. Essa vai para os políticos de direita, de centro, de esquerda, que nos devem explicações”, afirmou Dinho diante do público.

A declaração ocorreu em meio à divulgação de informações relacionadas a mensagens atribuídas a Vorcaro e a um contato identificado no celular do empresário como sendo do ministro Alexandre de Moraes.

 

 

Mensagens aumentaram repercussão do caso

O caso ganhou novos contornos após o ministro André Mendonça tornar público um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne informações obtidas durante as investigações.

O documento registra contatos e encontros envolvendo Vorcaro e diferentes autoridades. Entre os nomes citados está Alexandre de Moraes.

Segundo informações divulgadas sobre o relatório, Vorcaro teria procurado o ministro em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master e ao avanço das investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição.

Parte das mensagens, no entanto, não pôde ser recuperada integralmente. De acordo com os relatos sobre o material, algumas conversas utilizaram recursos de visualização única, o que impede a reconstrução completa do diálogo.

A existência das mensagens e dos encontros não comprova, por si só, crime ou favorecimento. As circunstâncias dos contatos e a autenticidade de determinadas informações estão entre os pontos que geraram questionamentos e disputas institucionais.

Escritório da esposa de Moraes também é citado

Outro ponto que passou a integrar o debate envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O contrato, segundo informações divulgadas a partir do material analisado pelas autoridades, tinha valor de R$ 131 milhões.

A existência de uma relação profissional entre o banco e o escritório não significa, isoladamente, que tenha ocorrido irregularidade. O questionamento levantado no caso está relacionado principalmente à possibilidade de conflito de interesses e às relações mantidas entre Vorcaro e pessoas próximas ao ministro.

O escritório da advogada já apresentou explicações sobre a contratação e negou irregularidades.

André Mendonça também aparece no caso

A crise institucional não envolve apenas Moraes.

André Mendonça, responsável pela condução de processos relacionados ao caso Master no STF, confirmou ter se encontrado com Vorcaro antes de assumir a relatoria da investigação.

O ministro também confirmou que o empresário prestou depoimento em seu gabinete após relatar que estaria sofrendo intimidações.

Segundo a justificativa apresentada, a medida teve como objetivo garantir a segurança e a integridade do depoente. Um representante do Ministério Público acompanhou o depoimento.

Mendonça posteriormente determinou a divulgação de informações relacionadas ao caso, medida que contribuiu para ampliar a repercussão das mensagens e dos demais elementos reunidos pela PF.

PGR questiona atuação de Mendonça

A divulgação do material provocou reação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O procurador-geral Paulo Gonet questionou a forma como a investigação envolvendo autoridades do STF foi conduzida e defendeu a nulidade do relatório.

Na avaliação da PGR, uma eventual investigação envolvendo ministro do Supremo deveria obedecer a procedimentos institucionais específicos, incluindo a participação dos órgãos competentes da própria Corte.

A posição de Gonet abriu uma nova frente de conflito institucional, desta vez envolvendo diretamente a condução das investigações por Mendonça.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também reagiu e questionou a atuação do procurador-geral, uma vez que seu nome aparece entre as autoridades citadas no material analisado pela PF.

Fachin promete preservar institucionalidade do STF

Diante do aumento da tensão entre os ministros, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que adotaria as medidas necessárias para preservar a integridade institucional da Corte.

O episódio expôs divergências internas no Supremo e colocou sob pressão a forma como informações envolvendo ministros, autoridades e investigados são apuradas e divulgadas.

O caso também passou a ter forte repercussão política, com manifestações de representantes de diferentes espectros ideológicos.

Dinho cobra explicações de todos os lados

Foi nesse cenário que Dinho Ouro Preto fez sua manifestação no Rock in Rio.

Ao citar diretamente Daniel Vorcaro, ministros do STF e políticos de direita, centro e esquerda, o vocalista procurou ampliar a cobrança por esclarecimentos para além de um único grupo político.

A escolha de “Que país é esse” para encerrar a fala reforçou o caráter político da manifestação. A música, lançada originalmente pelo Aborto Elétrico e posteriormente gravada pelo Capital Inicial, tornou-se conhecida por suas críticas sociais e políticas.

A declaração do cantor ocorreu em um dos principais palcos de música do país, dando ainda mais visibilidade ao debate sobre o caso Master, que atualmente envolve investigações da Polícia Federal, questionamentos da PGR e uma disputa institucional dentro do Supremo Tribunal Federal.