Internacional

Spotify remove 75 milhões de músicas criadas por IA e introduz novas regras de rotulagem

Plataforma adota filtro para combater "spam musical" e reforça transparência sobre o uso de IA na criação de faixas.


Spotify reforça regras para o uso de IA dentro do aplicativo – Foto: Reprodução

Imagina só: você abre o Spotify e dá de cara com uma banda nova que simplesmente explode na sua cabeça. Um som psicodélico, envolvente, com uma vibe que te joga em outra dimensão. E aí você descobre que milhões de pessoas também estão viciadas nessas músicas. Mas quando vai procurar uma fotinho da banda, um Insta, uma entrevista qualquer… nada. Zero. Ninguém. Porque, adivinha? A banda nem existe de verdade.

Não, isso não é roteiro de série futurista. É a história real de The Velvet Sundown — e, sério, é um dos alertas mais insanos (e ao mesmo tempo mais interessantes) que o mundo da música já recebeu em anos. Se prepara, porque essa história tem de tudo.

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As 3 pistas que entregaram a farsa: como a galera sacou que era tudo IA

No começo? Tava tudo perfeito. Tipo, perfeito demais. E como a internet não dorme, os detetives digitais já começaram a ligar os pontos. Será que você teria percebido?

Pista 1: As fotos bizarras do vale da estranheza 📸

As imagens da “banda” eram… esquisitas. Tinham aquele visual plástico, sem poros, meio perturbador — o famoso “uncanny valley” que só a IA entrega. E aí começaram a aparecer os erros clássicos:

  • Um dos caras, no tributo ao Abbey Road, tava usando dois tênis completamente diferentes.

  • O guitarrista? Tava faltando um dedo.

  • E o filtro nas fotos era tipo… amarelo bizarro + energia de “gerado no Midjourney às 3h da manhã”.

Spoiler: nada daquilo parecia humano. Porque não era.

Pista 2: Música “perfeita”… até demais 

A música era bem produzida? Sim. Mas parecia feita por um robô tentando imitar sentimentos humanos — e falhando feio.

Um crítico resumiu perfeitamente:

“A música do The Velvet Sundown não é ruim. Ela simplesmente… não é nada.”

Era um rock anos 70 feito por estatística, não por alguém quebrando o coração na garagem.

Pista 3: A bio inventada, com direito a fake news 

E claro, pra fechar o pacote: uma bio falsa com membros fantasmas (Gabe, Lennie, Milo e Orion 👻) e até uma citação da Billboard que nunca existiu. Ousadia? Eles passaram do ponto.

A banda que enganou o Spotify e a Rolling Stone: The Velvet Sundown – é o fim da música como a conhecemos? – Foto: Reprodução

A arma do crime: Suno AI

Por trás da farsa, estava o Suno AI, um gerador de música que transforma texto em som. Simples assim.

Só que o buraco é mais embaixo: muita gente da indústria diz que a IA tá sendo treinada com músicas protegidas por direitos autorais. Ou seja… isso é inovação ou o maior plágio da história?

A reviravolta mais doida: o falso porta-voz e a trollagem nível chefão

Quando a treta tava no auge, surge um cara chamado Andrew Frelon, dizendo que era o “porta-voz oficial” da banda. Ele convenceu até a Rolling Stone de que tudo não passava de uma trollagem artística.

Mas aí, no dia seguinte, ele mesmo veio a público e soltou: “Galera, foi mal. Eu inventei tudo. Não faço ideia de quem criou a banda.”

Quase ao mesmo tempo, os verdadeiros criadores apareceram — e estavam putos. O motivo? Eles não estavam bravos por terem sido descobertos. Estavam bravos porque alguém tentou roubar o projeto artístico deles.

Pausa pra pensar: até gente que faz arte com IA quer os créditos da obra.

IA ≠ Gorillaz: entenda a diferença

Nem todo artista virtual é criado da mesma forma, tá? Comparar Gorillaz com The Velvet Sundown é tipo confundir um DJ com uma playlist automática. Só pra deixar claro:

Artista Como é feito? Quem cria a música?
The Velvet Sundown IA generativa (Suno) Inteligência artificial
Gorillaz Criação tradicional Humanos (Damon Albarn e companhia)
Hatsune Miku Sintetizador de voz Humanos (ela é só a “voz virtual”)

Arte ou algoritmo? O debate tá esquentando

O The Velvet Sundown mostrou que sim, dá pra criar um hit do zero com IA. E que o Spotify pode empurrar isso no seu ouvido sem você nem perceber.

O fantasma já saiu da máquina. Ele tá nas suas playlists.

Agora, a pergunta que não quer calar:

Se uma música feita por IA te emociona… importa mesmo se ela é “falsa”?
Você continuaria curtindo ou sentiria que foi enganado?

O Spotify anunciou novas diretrizes para lidar com o crescente número de músicas geradas por Inteligência Artificial em sua plataforma. Nos últimos 12 meses, a gigante do streaming removeu 75 milhões de faixas de baixa qualidade produzidas por IA. A medida visa combater práticas como a criação de conteúdo para “enganar os ouvintes” e a interferência no trabalho de artistas autênticos.

Em um comunicado divulgado no dia 25 de setembro, a empresa revelou que implementará um “filtro de spam musical” para barrar uploads em massa, duplicatas e outros abusos que têm se tornado mais frequentes com o uso das ferramentas de IA. O Spotify também reafirmou que não pretende banir as músicas feitas por Inteligência Artificial, mas que, a partir de agora, essas faixas devem ser corretamente rotuladas desde o início.

A plataforma introduziu, ainda, um novo sistema de rotulagem que permitirá aos ouvintes saber se uma música foi criada com o auxílio da IA. Isso inclui transparência sobre o uso da tecnologia em vocais, composição, produção e até mixagem.

Charlie Hellman, VP global de produto musical do Spotify, destacou que a empresa não busca punir os artistas que utilizam a IA de maneira responsável, mas espera que isso contribua para um uso mais criativo da tecnologia. A decisão surge em meio ao crescimento da produção de músicas geradas por IA, que, no Deezer, por exemplo, já representa cerca de 28% dos uploads diários, embora ainda tenha uma participação pequena nas reproduções totais.

Além do Spotify, a Deezer também implementou a marcação explícita de músicas criadas por IA em junho deste ano, tornando-se a primeira plataforma a adotar essa medida.

Um breve resumo das plataformas de streaming

  • Crescimento da IA no mercado musical: Além do Spotify, outras plataformas como Deezer e Apple Music também estão começando a tomar medidas para lidar com o uso crescente de IA na produção musical. Em algumas dessas plataformas, há um aumento significativo de faixas geradas por IA, especialmente na música eletrônica e hip-hop, onde a IA é usada para criar beats ou até vocais.

  • Preocupações sobre autenticidade e direitos autorais: Além de combater o “spam musical”, um dos desafios que surge com a IA na música é a questão dos direitos autorais. Quem é o verdadeiro criador de uma música gerada por IA? Como se determina a autoria e o crédito? Isso é algo que as plataformas de streaming e as entidades de direitos autorais estão discutindo.

  • Impacto na indústria e nos artistas independentes: A introdução de IA na criação musical também levanta questões sobre o impacto que isso terá nos artistas independentes e no valor da produção artística. Algumas preocupações surgem sobre como a facilidade de gerar música via IA pode saturar o mercado, tornando mais difícil para artistas humanos se destacarem.

  • Reações da comunidade musical: Alguns músicos têm se mostrado entusiastas da IA, considerando-a uma ferramenta criativa poderosa, enquanto outros criticam o uso excessivo e a falta de originalidade que pode acompanhar produções automáticas.

  • A luta contra a “música descartável”: O Spotify, em particular, tem se posicionado contra o que chama de “música descartável”, produzida em massa por IA sem uma preocupação genuína com a qualidade ou a experiência do ouvinte. Essa “música” pode ser considerada uma forma de conteúdo para aumentar as estatísticas de visualizações sem oferecer uma experiência autêntica para os ouvintes.