Internacional

Meio Ambiente

Planeta Terra chegou à “era da ebulição global”, alerta ONU

Pela primeira vez desde que há registo, a temperatura média global esteve 1,5° C acima da era pré-industrial. Meta do Acordo de Paris para o aquecimento global nunca tinha sido atingida. Os cenários atuais são assustadores.


O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou, nesta quinta-feira (27) que a era do aquecimento global deu lugar à da “ebulição global”. O alerta surge na sequência de os cientistas terem revelado que julho está a caminho de ser o mês mais quente de que há registo.

Durante as três primeiras semanas do mês foram registados novos picos de temperatura em vários pontos do globo.

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Foto: Adrees Latif (REUTERS)

As consequências, afirma Guterres, “são trágicas: crianças arrastadas pelas chuvas das monções. Famílias fugindo das chamas.Trabalhadores morrendo sob calor abrasador”. E já não há tempo para “hesitações e desculpas”.

De acordo com o investigador Karsten Haustein, da Universidade de Leipzig, na Alemanha, em julho de 2023, o mundo vai estar 1,5ºC mais quente do que era anteriror à Revolução Industrial.

Lembrando que este foi o valor limite estipulado pelo Acordo de Paris para o aquecimento global. A meta nunca tinha sido atingida.

Guterres defende que “ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC [acima dos níveis pré-industriais] e evitar o pior das alterações climáticas. Mas só com uma ação climática dramática e imediata”.

Ameaça “existencial”

Para o presidente americano, Joe Biden, o aquecimento global é uma ameaça existencial. “Não sei se ainda é possível para alguém negar o impacto das mudanças climáticas”, declarou, reagindo ao anúncio da ONU. Atualmente, disse, cerca de 100 milhões de americanos são afetados pelas ondas de calor.

A onda de calor nos EUA atinge cerca de 100 milhões de pessoas – Foto: David McNew (REUTERS)

Biden deu exemplos chocantes, como o de uma mulher que caiu de sua cadeira de rodas e, exposta ao sol, morreu sob o calor no Arizona, no sudoeste dos Estados Unidos. Ele também anunciou um plano de investimentos na transição energética, para reforçar a capacidade de estocagem de água no oeste dos Estados Unidos e melhorar o sistema nacional de previsão meteorológica.

Depois de várias semanas de calor intenso em três continentes, a Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas e o Observatório Europeu Copernicus anunciaram ter dados suficientes para dizer que julho de 2023 “será certamente o mês de julho mais quente da história de medições” e, provalmente, “o mês mais quente de uma forma mais geral.”

Brasil

Região Norte do Brasil tem 16,33% dos seus municípios atingidos por desastres “naturais”. Tempestades, inundações, enxurradas e alagamentos nos últimos 10 anos, causaram impacto financeiro de R$ 1,7 bilhão. Os dados de um estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Casas afetadas por desastres naturais – Foto: reprodução

Entre 2013 e 2022, desastres naturais atingiram 5.199 municípios brasileiros, o que representa 93% do total de 5.570. Nesses casos, os prefeitos tiveram de fazer registros de emergência ou estado de calamidade pública. Esses desastres afetaram a vida de mais de 4,2 milhões de pessoas, que tiveram de abandonar as próprias casas.

O estudo indica que mais de 2,2 milhões de moradias foram danificadas, em 4.334 municípios (78% do total), sendo que 107.413 foram totalmente destruídas.

“O prejuízo em todo o país de danos em habitação, nesse período de dez anos, ultrapassa R$ 26 bilhões. E os municípios estão praticamente sozinhos, na ponta, para socorrer a população. Não há apoio para prevenção nem investimentos”, diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

No período de dez anos que o estudo cobre, 2022 foi o que teve os piores números. Foram contabilizadas 371.172 moradias danificadas ou destruídas. Antes, 2015 tinha os resultados mais negativos: 325.445. Quando se consideram os prejuízos financeiros, os anos de 2020 a 2022 juntos representam 70% do total de perdas, ou R$ 18,3 bilhões.