
Rio Citarum, Java: lixo plástico é assunto central do acordo discutido em Busan – Foto: Timur Matahari/AFP
As negociações para um tratado global de combate à poluição por plásticos terminaram sem consenso nesta sexta-feira (15), em Genebra, na Suíça. Representantes de 185 países participaram do encontro, mas divergências profundas impediram qualquer avanço concreto.
De um lado, países e organizações pressionavam por medidas mais ousadas, como a redução da produção de plástico e o banimento de substâncias químicas perigosas. Do outro, nações produtoras de petróleo — como Arábia Saudita, Kuwait e Irã — defenderam um texto mais restrito, voltado apenas para a gestão de resíduos.
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Curauá, a solução que continua invisível
Apesar do fracasso nas negociações, o tema reacendeu o debate sobre alternativas sustentáveis ao uso de plásticos. Uma das promessas mais comentadas é o curauá, planta amazônica cujas fibras naturais são leves, resistentes e biodegradáveis. Já utilizada por indústrias automotiva e de construção, a fibra do curauá tem potencial para substituir plásticos em diversos setores, gerando ainda oportunidades econômicas para comunidades da Amazônia.

Simone da Silva, pesquisadora do Centro de Bionegócios da Amazônia apresentando o Curauá e a evolução das pesquisas no CBA – Foto: Reprodução
Pesquisas realizadas com uma espécie de bromélia nativa da Amazônia e semelhante ao abacaxi, o curauá (Ananas erectifoliu), têm revelado um alto potencial de alternativa econômica sustentável para a substituição do plástico de origem petroquímica.
O estudo, desenvolvido no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus, já está em fase de implantação por meio de um projeto-piloto de extensão desenvolvido com produtores da agricultura familiar.
Por meio de um acordo de cooperação com outras instituições, o CBA fornece as mudas, capacita os produtores para o plantio e produção da fibra e conecta com uma empresa para a produção do bioplástico.
Participação brasileira
O Brasil teve uma atuação ativa nas discussões, defendendo pautas como uma transição justa, a inclusão dos catadores de recicláveis e um artigo exclusivo sobre saúde. Informações de bastidores também indicam que o país apoiou a inclusão de restrições a químicos perigosos, embora organizações ambientais cobrem mais transparência pública nas posições brasileiras.
Atualmente, mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente no mundo. Apenas 9% desse volume é efetivamente reciclado. Quase metade vai para aterros sanitários, e cerca de 22% é descartada de forma irregular, agravando a poluição ambiental.
A próxima rodada de negociações está prevista para 2026. Até lá, cresce a pressão por um tratado que esteja à altura da crise ecológica causada pelo excesso de plásticos no planeta.
