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McDonald’s anuncia que não comprará produtos do Mercosul mesmo após assinatura do acordo com a UE

Decisão da rede francesa ocorre em meio a tensão política e atrasos na ratificação do pacto comercial histórico entre Mercosul e União Europeia.


McDonald’s na França anuncia que também não comprará produtos do Mercosul, apesar do acordo com UE – Foto: Klaas Jan Schraa/iStock/ Getty Images

A rede de fast food McDonald’s na França confirmou que manterá sua política de abastecimento exclusivamente com fornecedores franceses e europeus, rejeitando comprar produtos agrícolas do Mercosul — composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — mesmo após a recente assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE).

Em comunicado divulgado à imprensa francesa, a empresa afirmou que não pretende alterar seus locais de fornecimento, centrados na França e em outros países europeus, e que continuará privilegiando ingredientes da produção local, como trigo para pães, batatas e frango para suas lojas no país. A França é um dos principais mercados da rede no continente, com mais de 1.500 restaurantes em funcionamento.

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Contexto político e econômico do acordo Mercosul-UE

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia — resultado de mais de 25 anos de negociações — foi formalmente assinado em janeiro de 2026 por autoridades de ambos os blocos, num esforço para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 30% do PIB global.

Apesar da assinatura, a ratificação do pacto ainda enfrenta resistência interna na UE, marcada por fortes tensões políticas. Países como França, Polônia, Irlanda e Hungria votaram contra a aprovação inicial nas instituições europeias, citando preocupações com a proteção dos agricultores locais e possíveis efeitos sobre padrões sanitários e ambientais.

Nos últimos meses, protestos de agricultores — incluindo bloqueios de estradas e manifestações com tratores em Bruxelas — evidenciaram o descontentamento do setor rural europeu com a perspectiva de importações mais baratas de carne bovina, aves e outros produtos agrícolas do Mercosul.

Repercussões no setor privado francês

A posição do McDonald’s se soma à de cadeias de supermercados e distribuidores franceses que também anunciaram que não pretendem vender produtos do Mercosul em seus estabelecimentos, em um gesto de apoio à “soberania alimentar” e à proteção dos agricultores locais.

Representantes do setor agrícola têm se queixado de que produtos importados poderiam não corresponder aos padrões de produção e uso de pesticidas vigentes na UE, um dos principais argumentos usados para justificar a rejeição ao acordo por alguns setores políticos e econômicos franceses.

Perspectivas para a implementação do acordo

Embora a assinatura do tratado tenha sido um passo importante, o pacto ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos dos estados-membros da UE e dos países do Mercosul antes de entrar em vigor. Esse processo pode se estender por meses ou até anos, dependendo das disputas políticas internas em cada bloco.