Internacional

Japão condena à prisão perpétua assassino do ex-premiê Shinzo Abe

Tetsuya Yamagami confessou o crime durante audiência em 2025; Abe foi morto a tiros em comício em 2022.


O Tribunal de Nara, no Japão, condenou nesta quarta-feira (21) Tetsuya Yamagami, de 45 anos, à prisão perpétua pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, morto a tiros em julho de 2022. A sentença atendeu ao pedido da promotoria, que defendeu a pena máxima diante da gravidade do crime.

Durante uma audiência realizada em outubro de 2025, Yamagami confessou o homicídio. “É verdade que fui eu”, declarou o réu na ocasião. Ao longo do processo, a autoria do crime não foi contestada, e o julgamento concentrou-se na definição da pena.

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Crime chocou o Japão

Shinzo Abe tinha 67 anos quando foi assassinado enquanto discursava em um comício eleitoral na cidade de Nara. O atentado causou comoção nacional e internacional, especialmente por se tratar de um país conhecido pelos baixos índices de violência armada.

Abe foi o primeiro-ministro mais longevo da história do Japão e, mesmo fora do cargo, mantinha forte influência política no Partido Liberal Democrático e entre setores conservadores do país.

Yamagami foi preso em flagrante, ainda com a arma utilizada no crime — uma espingarda caseira — e afirmou inicialmente à polícia que estava insatisfeito com o ex-premiê e pretendia matá-lo.

Ex-primeiro ministro japonês Shinzo Abe

Julgamento e condenação

O processo judicial contou com 15 audiências, realizadas entre outubro e dezembro de 2025. Logo na primeira sessão, o réu assumiu a autoria do crime. Com a condenação considerada certa, a atenção do julgamento se voltou à dosimetria da pena, definida agora como prisão perpétua.

Motivação alegada pelo réu

Durante o julgamento, Yamagami afirmou que agiu motivado por problemas familiares relacionados à Igreja da Unificação, grupo religioso ao qual sua mãe teria se vinculado, passando a fazer grandes doações financeiras.

Segundo o réu, a situação familiar se agravou a ponto de seu irmão mais velho cometer suicídio, o que teria impulsionado o desejo de vingança contra o grupo religioso. Yamagami disse ter escolhido Shinzo Abe como alvo por enxergar o ex-premiê como uma figura central na relação entre a organização religiosa e a política japonesa.

O caso segue sendo lembrado como um dos episódios mais marcantes e traumáticos da história recente do Japão.