
Avião de transporte militar C-390 Millennium da Embraer é a joia brasileira do setor de defesa e segurança – Foto: Emmanuel DUNAND/AFP
Sem grande alarde, a indústria brasileira de defesa e segurança vem registrando um crescimento expressivo desde 2024, impulsionada pelo aumento da demanda global em meio aos conflitos armados na Ucrânia e em Gaza. Nos últimos dois anos, as exportações de armamentos e equipamentos militares do país avançaram 110%, atingindo níveis históricos.
O desempenho ocorre apesar do discurso diplomático brasileiro em favor da mediação de conflitos e da paz. Na prática, o país consolida sua posição como uma potência emergente no setor de defesa, apoiado em produtos de alta tecnologia e na ampliação de mercados internacionais.
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Parte desse avanço é resultado da Estratégia Nacional de Defesa, lançada em 2008, que fortaleceu a Base Industrial de Defesa (BID), estimulou o desenvolvimento tecnológico e ampliou a competitividade das empresas brasileiras no exterior.
Atualmente, produtos de defesa fabricados no Brasil estão presentes em cerca de 140 países, segundo dados do Ministério da Defesa. Entre os principais compradores estão Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal.
“O Brasil reduziu sua dependência de poucos mercados e passou a ocupar espaços antes dominados por grandes potências, especialmente na Europa, no Oriente Médio e na Ásia”, afirma Luiz Carlos Paiva Teixeira, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE).

Caça subsônico AMX, produzido pela Embraer entre 1985 e 1999 – Foto: Divulgação/Embraer
Crescimento apesar da queda dos investimentos públicos
Em 2025, o volume de comercialização do setor alcançou US$ 3,1 bilhões, alta de 74% em relação ao ano anterior e mais que o dobro do registrado em 2023. O resultado foi obtido mesmo com a redução progressiva dos investimentos do governo federal, que hoje giram em torno de 1% do PIB.
Segundo especialistas, a retração das encomendas internas foi compensada por uma estratégia de incentivo às exportações, com apoio diplomático, participação em feiras internacionais e acordos de cooperação.
“A sobrevivência e a continuidade desses projetos dependem das exportações. O governo passou a atuar como facilitador da presença internacional das empresas”, explica Marcos Barbieri, especialista em Economia da Defesa e professor da Unicamp.
A Embraer é o principal destaque da pauta exportadora. Em 2025, a empresa registrou a maior carteira de pedidos de sua história no segmento de defesa, somando US$ 4,6 bilhões, com destaque para o avião de transporte militar C-390 Millennium.
Diversificação e projeções
Além de armas leves e munições — segmento em que o Brasil já é tradicional exportador —, o país ampliou sua atuação para áreas como embarcações militares, blindados, radares, sistemas de comunicação e soluções de proteção de dados.
O setor emprega cerca de 3 milhões de trabalhadores e responde por aproximadamente 3,5% do PIB brasileiro. No ranking global de exportadores de armamentos divulgado em 2025, o Brasil ocupa a 24ª posição, sendo o único representante da América Latina.
A expectativa, segundo analistas, é de avanço nos próximos anos com a entrada em operação de novos projetos estratégicos, como submarinos da classe Scorpène, fragatas Tamandaré e a produção nacional dos caças Gripen.
“Esses equipamentos estão começando agora a chegar ao mercado internacional. A tendência é que o Brasil ganhe ainda mais espaço”, avalia Barbieri.
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