Internacional

Saúde

Fim de patente pode baratear Ozempic e Wegovy e ampliar acesso a remédios contra obesidade

Índia deve liderar produção de versões genéricas mais acessíveis, enquanto Brasil ainda enfrenta entraves para redução de preços.


O Wegovy foi lançado na Índia em 2025, mas a patente de seu ingrediente principal expira no país esta semana – Foto: Bloomberg/via Getty Images

A expiração da patente da semaglutida — substância presente nos medicamentos Ozempic e Wegovy — pode transformar o mercado global de tratamentos contra obesidade. A partir desta semana, farmacêuticas poderão produzir versões genéricas mais baratas, especialmente na Índia, onde a indústria já se prepara para uma forte concorrência.

A quebra da patente abre caminho para que dezenas de empresas lancem alternativas com preços reduzidos. Analistas estimam que os custos mensais, hoje elevados, possam cair mais da metade no mercado indiano, ampliando o acesso da população a esse tipo de tratamento.

Continua depois da Publicidade

Desenvolvidos inicialmente para tratar diabetes, os medicamentos à base de semaglutida ganharam destaque mundial por sua eficácia no controle do peso. Eles atuam imitando hormônios que regulam o apetite e a glicose no sangue, promovendo maior saciedade e reduzindo a ingestão alimentar.

Com uma das maiores populações com diabetes tipo 2 e sobrepeso do mundo, a Índia desponta como um mercado estratégico. A expectativa é que o setor movimente bilhões de dólares nos próximos anos, impulsionado pela produção local de genéricos.

Especialistas, no entanto, alertam para desafios. Entre eles, a necessidade de rigor na qualidade dos medicamentos e o risco de uso inadequado. Efeitos colaterais como náuseas e problemas digestivos podem ocorrer, além de complicações mais raras.

Outro ponto de atenção é o uso sem acompanhamento médico. Profissionais de saúde destacam que os medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada e prática de exercícios.

Cenário no Brasil

No Brasil, a patente da semaglutida também expira neste mês, mas a queda de preços não deve ser imediata. Questões regulatórias e produtivas ainda limitam a entrada de versões genéricas no mercado.

A Anvisa avalia pedidos de fabricação, mas o processo deve ocorrer de forma gradual, com poucas liberações por semestre. Isso pode adiar a chegada de alternativas mais baratas às farmácias.

Além disso, a fabricante Novo Nordisk, responsável pelos medicamentos originais, busca manter sua presença no país e avalia medidas judiciais relacionadas à patente.

Com isso, especialistas apontam que a concorrência no Brasil tende a crescer lentamente, o que deve manter os preços ainda elevados no curto prazo.

Apesar dos desafios, a expectativa é de que, no longo prazo, a ampliação da oferta torne esses tratamentos mais acessíveis — o que pode impactar diretamente o combate à obesidade em escala global.