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Tecnologia

Evolução da inteligência artificial intriga a imprensa francesa

A inteligência artificial (IA) está no foco da imprensa francesa. A questão vem à tona com a abertura do Vivatech, um dos maiores salões de tecnologia da França. O presidente Emmanuel Macron participa do evento, em Paris, e apresenta o plano do governo para apoiar projetos de IA no país.


O jornal La Croix chegou às bancas com a manchete “Aprendizes de feiticeiros”, um indício da preocupação que essas tecnologias suscitam. Em sua reportagem especial, o diário investiga se a inteligência artificial é realmente uma ameaça. O jornal nota que assim como Elon Musk e Sam Altman, CEO da empresa californiana OpenAI, que desenvolveu o ChatGPT, muitos especialistas da área alertam para o risco de extinção da humanidade com esse novo tipo de tecnologia.

La Croix lembra o manifesto alarmista assinado no final de maio por 350 personalidades, incluindo executivos da Google, Microsoft e Apple. A carta aberta alertava para os perigos da inteligência artificial, comparáveis aos de uma pandemia ou de uma guerra nuclear.

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IA na política

Na França, a questão mobiliza o governo, como aponta reportagem do Le Figaro intitulada “Políticos na batalha da inteligência artificial”. Na semana passada, o ministro francês da Transição Digital reuniu deputados governistas para tratar de regulamentação, soberania e posicionamento político em torno dos desafios relativos às novas tecnologias.

Os líderes do G7 se reúnem com a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel — Foto: Kyodo via ReutersFoto: reprodução

Mas, segundo Le Figaro, a preocupação do governo é principalmente a forma como a questão vem sendo tratada pela extrema direita. A matéria observa que o presidente do partido Reunião Nacional, o ultranacionalista Jordan Bardella, vem multiplicando, há meses, suas aparições na mídia francesa, alertando para os riscos da evolução desenfreada da inteligência artificial. O diário afirma que o governo francês opta por tomar o rumo contrário, com o objetivo de se afastar do discurso da extrema direita e apostar numa visão otimista sobre as novas tecnologias.

Essa decisão, no entanto, é contestada por especialistas entrevistados pelo jornal. É o caso do cientista francês Laurent Alexandre, que lembra que o debate político é “minado por um resultado incerto”, já que neste estágio do desenvolvimento das novas tecnologias “ninguém é capaz de prever a evolução da inteligência artificial”.

“Jepa”, um projeto capaz de raciocinar

O jornal Les Echos fala do lançamento em Paris do “Jepa”, um projeto do grupo Meta que aproxima a inteligência artificial do raciocínio humano, capaz de pensar, aprender e planejar tarefas. Entrevistado pelo diário econômico, Yann LeCun, líder do grupo de inteligência artificial da Meta, diz que “o objetivo é criar máquinas tão inteligentes quanto os humanos, ou talvez até mais”.

A proposta do “Jepa” é criar uma réplica do funcionamento cerebral, diz Les Echos. Este veículo francês também demonstra preocupação com a possibilidade de a IA se sobrepor à inteligência dos humanos.