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Ed Sheeran se manifesta após saída de Macklemore e onda de críticas durante turnê

Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e Beoga deixaram a “Loop Tour” em solidariedade a Macklemore; cantor britânico afirma que retirada do rapper foi decisão de produtores e dos estádios.


Macklemore é retirado de turnê de Ed Sheeran nos EUA após declarações pró-Palestina – Foto: Jake Magraw / Reprodução Instagram

A turnê Loop, de Ed Sheeran, sofreu uma reviravolta nesta semana após a retirada do rapper Macklemore da programação dos shows nos Estados Unidos. Em poucas horas, os quatro artistas e grupos que ainda estavam previstos como atrações de abertura também anunciaram que não participarão das próximas apresentações, em solidariedade ao músico americano.

A crise começou depois que Macklemore fez manifestações de apoio aos palestinos durante apresentações no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no início de setembro. O rapper utilizou o palco para defender a causa palestina e apresentar a música “Hind’s Hall”, que aborda a guerra em Gaza e os protestos em universidades americanas.

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A manifestação provocou reações de grupos pró-Israel e de artistas que consideraram as declarações ofensivas. A cantora Pink, que se identifica como judia, criticou publicamente Macklemore e posteriormente explicou que sua reação estava relacionada ao que considera uma defesa de sua comunidade diante do conflito.

Como Macklemore saiu da turnê

Em 14 de setembro, Macklemore afirmou que havia sido retirado das apresentações restantes da turnê depois de manifestações feitas no palco. O rapper disse que proprietários de estádios haviam pressionado para que ele não participasse dos shows.

A situação envolveu particularmente Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e dos New England Patriots. Kraft confirmou posteriormente que havia participado da decisão de impedir a apresentação de Macklemore e justificou sua posição citando declarações e episódios anteriores que, segundo ele, foram ofensivos à comunidade judaica.

O Israeli-American Council também havia lançado uma petição pedindo que Macklemore fosse retirado da programação, argumentando que o palco de Sheeran não deveria ser utilizado para aquilo que o grupo classificou como propaganda política unilateral.

Ed Sheeran diz que decisão não foi dele

A controvérsia aumentou depois que Sheeran se pronunciou nas redes sociais.

O cantor afirmou que não decidiu retirar Macklemore da turnê. Segundo ele, a decisão partiu dos produtores e dos responsáveis pelos locais que receberiam os shows.

Sheeran disse ainda que conversou durante dias com os estádios para tentar encontrar uma solução, mas que as decisões dos locais e do promotor eram definitivas. O artista declarou ter opiniões pessoais sobre o conflito entre israelenses e palestinos, mas afirmou que prefere não transformar seus shows em fóruns políticos.

O britânico também disse respeitar a disposição de Macklemore de defender publicamente aquilo em que acredita e afirmou que considera possível buscar a paz por caminhos diferentes.

Essa explicação passou a ser utilizada por apoiadores de Sheeran para argumentar que o cantor não deve ser responsabilizado diretamente pela retirada do rapper. Entre as manifestações favoráveis à posição de Sheeran estão comentários de pessoas que defendem que artistas, promotores e proprietários de arenas tenham liberdade para estabelecer regras sobre o conteúdo apresentado em seus eventos. Uma das discussões públicas que ganhou repercussão nas redes sustentou justamente que Macklemore poderia defender suas posições em seus próprios shows, sem necessariamente utilizar uma turnê de outro artista para isso.

Quatro atrações abandonam a turnê

A explicação de Sheeran, entretanto, não encerrou a crise.

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda irlandesa Beoga anunciaram a saída da turnê. Os quatro atos tinham diferentes funções na programação das apresentações restantes.

Finneas afirmou que artistas não deveriam ser silenciados quando se manifestam em defesa de pessoas que consideram oprimidas e declarou apoio aos palestinos.  Aaron Rowe e integrantes da Beoga mencionaram a história da Irlanda ao explicar a decisão. Já Lukas Graham agradeceu a oportunidade de participar da turnê, mas afirmou que dinheiro não deveria determinar quem pode falar sobre sofrimento e questões políticas.

Com as quatro desistências, todos os atos de abertura previstos para as próximas datas da turnê americana deixaram a programação.

Macklemore anuncia doação de US$ 1 milhão

Enquanto a disputa se ampliava, Macklemore anunciou que pretende destinar cerca de US$ 1 milhão, valor relacionado ao seu trabalho na turnê, a organizações de ajuda aos palestinos.

O rapper também desafiou Robert Kraft a realizar uma doação de valor equivalente. Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, entre as organizações beneficiadas está a UNRWA, agência da ONU voltada à assistência de refugiados palestinos.

Macklemore também recebeu manifestações públicas de apoio de outros artistas e personalidades. Entre os nomes citados pela imprensa estão Kehlani, Zara Larsson e Ms. Rachel.

Roger Waters e outras celebridades entram no debate

A discussão ultrapassou os participantes da turnê.

Roger Waters, ex-integrante do Pink Floyd, criticou duramente Sheeran e manifestou apoio a Macklemore. Outras personalidades também questionaram a postura do cantor britânico diante da retirada do rapper.

Ao mesmo tempo, houve manifestações em defesa de Sheeran e da decisão dos organizadores. Robert Kraft, por exemplo, afirmou que sua posição não tinha como objetivo impedir manifestações em favor dos palestinos, mas estava relacionada ao que considera um histórico de declarações e imagens antissemitas envolvendo Macklemore.

A cantora Pink também manteve sua crítica a Macklemore e explicou publicamente que sua reação partiu de sua identidade judaica e da percepção de que determinadas declarações do rapper eram ofensivas ou ameaçadoras para integrantes de sua comunidade.

Redes sociais ampliam a pressão

A disputa também chegou aos números das redes sociais. Reportagens publicadas nesta quarta-feira apontaram uma queda significativa no número de seguidores de Sheeran no Instagram após a crise. O F5, da Folha de S.Paulo, informou que o cantor passou de aproximadamente 47,6 milhões para 47,3 milhões de seguidores, uma perda superior a 200 mil contas.

Esses números, contudo, mostram apenas a movimentação da plataforma e não constituem uma pesquisa de opinião sobre Ed Sheeran ou sobre a guerra em Gaza.

O que acontece agora

A turnê está prevista para continuar nos Estados Unidos, com a próxima apresentação programada para a Filadélfia. A saída de Macklemore e dos quatro atos restantes, porém, alterou substancialmente a programação inicialmente planejada para as datas americanas.

O episódio colocou Ed Sheeran no centro de um debate que ultrapassa a música: qual deve ser o papel de artistas diante de conflitos internacionais e até que ponto promotores e proprietários de arenas podem determinar quais manifestações políticas acontecem em seus espaços?

Sheeran afirma que escolheu manter seus shows como ambientes sem debates políticos e que não participou da decisão de retirar Macklemore. Os artistas que abandonaram a turnê, por outro lado, afirmam que não poderiam continuar participando depois da saída do rapper.

Até 16 de setembro de 2026, as duas versões permanecem no centro da discussão pública, enquanto a turnê segue sob forte repercussão internacional.