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Corredor da morte no Irã: jovens presos em protestos contra o governo entram na fila de execuções

Mais de 20 iranianos estão no corredor da morte por acusações relacionadas a protestos contra o governo.


Desde que as manifestações anti-regime eclodiram após a morte de 16 de setembro de 2022, as autoridades iranianas executaram quatro jovens e condenaram vários outros à morte por acusações relacionadas ao movimento de protesto. Aqui temos o perfil de algumas das pessoas executadas ou no corredor da morte na mais recente matança patrocinada pelo Estado no Irã.

Pelo menos cem pessoas já foram condenadas à morte ou acusadas de cometer crimes capitais em meio à onda de protestos antigoverno que vem ocorrendo no Irã desde setembro, após a morte da jovem curda Mahsa Amini. A informação foi divulgada na terça-feira (27) por um grupo de direitos humanos e reproduzida pela rede BBC.

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Entre os condenados à pena capital estão cinco mulheres, detalhou a ONG Direitos Humanos do Irã (IHR, na sigla em inglês), com sede em Oslo, na Noruega. e há a possibilidade de o número real de manifestantes sentenciados à morte ser muito maior, já que as famílias têm sido pressionadas pelas autoridades a se manter em silêncio.

Entre as mulheres que enfrentam acusações que podem levá-las ao enforcamento está Mojgan Kavousi, uma professora de língua curda e defensora dos direitos humanos, que a IHR disse ter sido acusada de “corrupção na Terra”.

Um relatório publicado pelo grupo identificou cem indivíduos cujas sentenças ou indiciamentos foram anunciados por autoridades ou relatados por suas famílias pela mídia. Somente em dezembro, dois dos homens que foram executados por resultado no que os ativistas dizem ser “julgamentos falsos”.

Cem detidos estão no corredor da morte no Irã por conta de protestos - A Referência

(Foto: Steve Rhodes/Flickr)

A República Islâmica do Irã há muito é um dos maiores carrascos do mundo, mas nos últimos meses, o número de sentenças de morte proferidas e executadas desencadeou alertas de que o Estado está “armando” a pena de morte para esmagar a dissidência.

A luta dos atletas nos corredores da morte do Irã

Foto: reprodução

Em um comunicado à imprensa  publicado em 10 de janeiro de 2023, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, observou que os processos criminais e a pena de morte estavam sendo “armados pelo governo iraniano para punir indivíduos que participam de protestos e incutir medo na população, de modo a acabar com a dissidência, em violação do direito internacional dos direitos humanos”.

Entre 8 de dezembro de 2022 e 7 de janeiro de 2023, quatro jovens foram executados sob pena de morte em conexão com sua participação no movimento de protesto desencadeado pela morte de Mahsa Amini sob custódia em 16 de setembro.

Duas mulheres sentadas usando hijab sobre a cabeça

Amini, 22, foi presa em Teerã pela polícia de moralidade do Irã por usar seu hijab (véu) de forma inadequada. As autoridades iranianas afirmam que ela morreu de uma doença, sua família diz que ela morreu de golpes sofridos durante a detenção.

 

Burca, niqab e hijab: conheça as vestes muçulmanas

Foto: reprodução

Antes do início da final da Copa do Mundo, em dezembro de 2022, a cantora Shakira se manifestou sobre a condenação à pena de morte de Amir Nasr-Azadani, jogador do Irã, determinada pelo governo do país. O atleta teve decretada sua pena por conta de sua participação em um protesto pelos direitos das mulheres iranianas, ocorrido no dia 16 de setembro.

Shakira e Amir Nasr-Azadani

Foto: reprodução

Shakira ressaltou a importância da causa que lutam as mulheres do Irã e a necessidade de dar voz ao caso do atleta em meio ao duelo entre Argentina e França, que terminou com o título para os Argentinos.Mais de 20 iranianos estão atualmente no corredor da morte por acusações relacionadas a protestos contra o governo, de acordo com a Anistia Internacional.