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Brasil figura entre os principais pontos de origem do tráfico aéreo de drogas para a França

Relatório do órgão antinarcóticos francês revela apreensão de 6,6 toneladas de entorpecentes transportados por “mulas aéreas” em 2025; esquema pressiona aeroportos e forças de segurança.


Médico mostra uma radiografia de uma “mula” do tráfico de drogas carregando cápsulas de cocaína em Caiena, Guiana Francesa – Foto: Jody Amiet/AFP

A França enfrenta um avanço significativo no tráfico internacional de drogas por meio de passageiros recrutados para transportar entorpecentes em voos comerciais. De acordo com relatório do Escritório Antinarcóticos Francês (Ofast), 6,6 toneladas de drogas foram apreendidas em 2025 com pouco mais de mil “mulas aéreas” — como são chamados os viajantes que escondem substâncias ilícitas no corpo ou na bagagem. O Brasil aparece entre os principais países de origem das cargas.

Do total interceptado no ano passado, quase 2,9 toneladas eram de cocaína e 2,7 toneladas de maconha. Segundo o Ofast, o fenômeno está disseminado pelo território francês e tem sobrecarregado as forças policiais, especialmente nos aeroportos.

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O órgão estima que ao menos 20 toneladas de cocaína tenham sido introduzidas na França, principalmente por meio dos aeroportos de Paris. Em 2024, haviam sido apreendidas 6,8 toneladas transportadas por mulas aéreas, sendo 4,1 toneladas de cocaína.

Apesar da redução no número de pessoas flagradas — 1.322 em 2025, contra 1.607 no ano anterior — as autoridades apontam que a queda se deve à mudança nas rotas utilizadas pelos traficantes, que passaram a evitar voos mais visados pela fiscalização e a recorrer também a trajetos marítimos. O relatório destaca que, para as organizações criminosas, basta que uma em cada dez operações tenha sucesso para garantir lucro.

Estratégias e pagamentos

As “mulas” utilizam diferentes métodos para transportar a droga: ingestão de cápsulas — podendo chegar a 3,5 quilos por pessoa —, ocultação sob roupas ou em fundos falsos de malas. Em março, seis passageiros de um mesmo voo procedente de Fort-de-France foram presos no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, com mais de 200 quilos de cocaína distribuídos em suas bagagens.

O perfil predominante das mulas de cocaína é masculino, e 57% dos interceptados são de nacionalidade francesa. Os pagamentos variam entre € 1.500 e € 10 mil (cerca de R$ 9 mil a R$ 60 mil), dependendo da quantidade transportada e do risco envolvido.

Segundo investigadores, a cocaína que chega à França continental tem como principais pontos de partida a Guiana Francesa, as Antilhas Francesas e o Brasil, consolidando o país sul-americano como uma das rotas estratégicas do narcotráfico internacional com destino à Europa.