‘O Pequeno Príncipe’, o livro mais vendido e traduzido no mundo atrás apenas da Bíblia, completa 80 anos e a editora que administra o legado de seu autor, Antoine de Saint-Exupéry, se prepara para comemorar mais uma década da publicação.

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‘O Pequeno Príncipe’ foi publicado em abril de 1943, quase simultaneamente, em inglês e francês, em Nova York, onde Saint Exupéry se radicou em 1941, junto com sua esposa, a salvadorenha Consuelo Suncín.
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A história deste livro, cujo misterioso e cativante protagonista de cachos loiros tornou-se um ícone mundial, é o resultado de uma ‘aventura improvável’, indicou Olivier d’Agay, diretor da Sucessão Antoine de Saint-Exupéry, que reúne os herdeiros da família do escritor.
‘Saint-Exupéry partiu para os Estados Unidos não para escrever, mas para ajudar a convencer esse país a se juntar à luta contra a barbárie’, ressaltou em uma coletiva de imprensa D’Agay, neto de uma irmã do autor.
O escritor e piloto Saint-Exupery, que foi um dos franceses mais conhecidos nos Estados Unidos, se mudou para Nova York com a missão pessoal de convencer os americanos a entrar na guerra contra o nazismo, explicou.

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Foi então que a sua editora americana o convenceu a escrever uma história de Natal, um conto infantil.
‘Saint-Exupéry estava sempre desenhando em todos as partes a figura de um menino loiro, inspirado em sua infância feliz, e que se tornou o personagem dessa história.’ O resultado dessa aventura, nascida em um contexto de exílio e de um mundo em guerra, foi este conto mágico e filosófico de uma centena de páginas, que se tornou um fenômeno editorial, ‘algo que Saint-Exupéry nunca poderia ter imaginado’, segundo D’Agay.
Em seus 80 anos de existência, desde que foi publicado, ‘O Pequeno Príncipe’ vendeu mais de 145 milhões de cópias em todo o mundo.
O manuscrito original do conto, que foi traduzido para mais de 230 línguas e dialetos, é preservado na Pierpont Morgan Library, em Nova York.
O Museu de Cartas e Manuscritos de Paris, editoras em dezenas de países, teatros, como o Teatro Nacional Manuel Bonilla de Honduras, que é apoiado pela Fundação Saint-Exupéry para a juventude, e organizações não governamentais vão festejar este aniversário.
Desde 2015, as obras de Saint-Exupéry passaram a ser de domínio público.
Musical brasileiro que possui aval da família do autor do livro
O musical “O Pequeno Príncipe”, mostra como a trama do livro está ligada a experiências pessoais do autor francês, apresentado na história como o Aviador. O roteiro é assinado por Sheila Dryzun, que passou quase seis anos construindo essa trama. Especialista na história de Saint-Exupéry, ela esteve na França para coletar informações com os familiares do escritor e enriquecer a história. “Cada vez que a gente lê ‘O Pequeno Príncipe’ descobre uma frase nova, como se algo antes não estivesse lá. A peça busca resgatar os anseios que temos quando criança e mostra a trajetória do autor para escrever esse livro de tanto sucesso”, comentou Sheila. O espetáculo, que não fica atrás de uma produção Broadway, possui não só o roteiro original, como também músicas, coreografias, cenários, figurinos e perucas inéditos, tudo pensado por profissionais brasileiros.

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“Procuramos um time experiente em teatro musical para conseguir construir artesanalmente a obra. Os cenários, por exemplo, foram pintados à mão. Tudo foi feito e concebido aqui. É grandioso, mas resgata o artesanal”, explicou Fernanda Chamma, que assina a direção artística do espetáculo. O papel principal é revezado por quatro atores-mirins de diferentes perfis físicos. Anna Beatriz Simões, conhecida nos bastidores como Xuxinha, é a única menina a viver o personagem-título. “É uma experiência incrível e super diferente porque eu nunca tinha interpretado um menino. No começo, eu fiquei um pouquinho insegura, mas depois deu tudo certo e eu estou amando fazer esse personagem”, enfatiza a atriz em entrevista à Jovem Pan em 2022.
Ao analisar a mensagem por trás da obra de Saint-Exupéry, a atriz de 10 anos mostrou que, assim como pontuado por Sheila, as interpretações dessa história podem variar. “Para mim, o mais bonito é que o Pequeno Príncipe quer muito um amigo e ele encontra o piloto. Isso me deixa emocionada porque ter um amigo é super importante na nossa vida”, disse Ana Beatriz, que alterna seu papel protagonista com Davi Martins, Leonardo Freire e Levi Asaf.
O veterano dos musicais Thiago Machado é quem dá vida ao Aviador, personagem que liga a história do Pequeno Príncipe à vida de Saint-Exupéry. Mesmo com sua experiência, o ator falou que contracenar com tantas crianças tem gerado novos aprendizados. “A gente nunca se acostuma com o palco (risos), então, quando vem uma criança disposta a enfrentar uma plateia é uma grande surpresa. É ótimo ver como eles são disponíveis em cena e como eles confiam na gente. Eles são inteligentes e propõem muitas coisas que não estão no roteiro, isso também é muito legal. Brinco que são quatro espetáculos diferentes, porque são Pequenos Príncipes com essências, histórias pessoais e vivências diferentes”. Com experiência em títulos internacionais, incluindo “Cantando na Chuva”, “Rent” e “Tick, Tick… Boom!”, Thiago comentou que também é inspirador saber que o musical é 100% nacional: “O Brasil tem uma qualidade absurda, então poder ver toda essa estrutura no palco e a reação da plateia com o nosso trabalho é muito gratificante”.
O elenco principal do musical ainda conta com Bruna Guerin como a Rosa, Luciana Ramanzini como a Raposa, e Natasha Jascalevich, que apresenta um notável trabalho corporal como a Serpente.
