Cultura

Amazonas

Milton Hatoum é eleito para a ABL e leva voz da Amazônia à elite da literatura brasileira

Presença de escritor amazonense entre os imortais reforça a importância da representatividade regional na cultura nacional.


O escritor Milton Hatoum, nascido em 1952, em Manaus, foi eleito nesta quinta-feira (14) para ocupar a cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras (ABL), anteriormente pertencente ao jornalista e acadêmico Cícero Sandroni. Aos 72 anos — prestes a completar 73 —, Hatoum conquista, pela primeira vez, um lugar entre os imortais da literatura nacional, e leva consigo as vozes, paisagens e histórias do Norte brasileiro para uma das instituições culturais mais prestigiadas do país.

Uma homenagem aos meus leitores e leitoras”, afirmou o autor, que encara a eleição como um gesto de reconhecimento não apenas de sua obra, mas também das múltiplas narrativas da região amazônica. A candidatura, segundo ele, foi inesperada e incentivada por colegas da própria academia e de fora dela. Em votação rápida, Hatoum obteve 33 dos 34 votos possíveis, deixando em segundo lugar o escritor Antônio Campos, que recebeu um voto. Também estavam na disputa Eduardo Baccarin-Costa, Cezar Augusto da Silva, Paulo Renato Ceratti e Angelos D’Arachosia.

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Trajetória premiada e influência internacional

Nascido em Manaus, em 1952, Hatoum é arquiteto de formação, professor, ensaísta, contista, tradutor e conferencista internacional. É também um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea brasileira. Autor de obras aclamadas como Relato de um certo Oriente (1989) – Vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance, Dois Irmãos (2000) – Adaptado para a TV Globo em 2017, Cinzas do Norte (2005) – Reconhecido com diversos prêmios nacionais e internacionais, teve seus livros traduzidos para 17 idiomas e adaptados para a TV e o cinema.

Foto: Quinho

Entre os muitos prêmios que acumulou ao longo da carreira, estão o Prêmio Jabuti, o Portugal Telecom, o Prêmio Juca Pato, o Prix Roger Caillois e honrarias como a medalha da Ordem do Mérito Cultural e o título de Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres, concedido pelo governo francês.

Seu próximo livro, Dança de Enganos — volume final da trilogia O Lugar Mais Sombrio — tem lançamento previsto para outubro deste ano, pela Companhia das Letras.

Representatividade e orgulho amazônico

A eleição de Hatoum teve grande repercussão nas redes sociais, com manifestações de orgulho e reconhecimento vindas de leitores, personalidades e instituições.

Em diversas publicações, internautas exaltaram a importância de ter um representante do Norte do país na ABL, enaltecendo o papel de Hatoum como símbolo da riqueza literária da Amazônia e da diversidade cultural brasileira.

“É o reconhecimento tardio das letras amazonenses. Tínhamos nomes como Marcio Souza e Thiago de Mello, que morreram e não receberam o convite da ABL, configurando uma indelicadeza da Academia Brasileira de Letras.” Mencius Melo, músico, jornalista e conselheiro estadual de cultura.

“Eu pretendo continuar a fazer o que eu já venho fazendo há mais de 30 anos, quando eu publiquei o primeiro romance, que é falar sobre literatura, falar da importância da leitura aos jovens, sobretudo nas escolas, universidades, enfim, ao público de modo geral”, disse o novo “Imortal” da ABL.

“A entrada de Hatoum na ABL não apenas consagra uma trajetória literária brilhante, mas também reafirma o papel essencial da literatura como espaço de escuta, reflexão e resistência. Sua presença na Casa de Machado de Assis enriquece ainda mais a tradição da Academia, trazendo consigo a força de uma voz literária contemporânea, crítica e poética. Parabéns, Milton Hatoum, por mais esse marco em sua carreira. Que sua contribuição siga inspirando leitores e escritores por muitas gerações.” Portal CINCO