
Cantor e compositor, Lô Borges. — Foto: Divulgação
O Brasil se despede de um de seus maiores talentos musicais. O cantor e compositor mineiro Lô Borges, símbolo da geração que revolucionou a MPB nos anos 1970, faleceu na noite de domingo (2/11), aos 73 anos, em Belo Horizonte. O artista estava internado há 18 dias no Hospital da Unimed, onde tratava um quadro de intoxicação medicamentosa. A causa da morte foi falência múltipla de órgãos, segundo confirmou o sobrinho Rodrigo Borges.
Natural de Belo Horizonte, Salomão Borges Filho cresceu em meio à efervescência cultural do bairro Santa Tereza. Foi lá que, ainda adolescente, conheceu Milton Nascimento, o “Bituca”, que se tornaria seu grande parceiro musical e amigo por toda a vida. A amizade deu origem ao “Clube da Esquina”, movimento que uniu juventude, poesia e experimentação sonora — e mudou os rumos da música popular brasileira.
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Em 1972, aos 20 anos, Lô e Milton lançaram o álbum “Clube da Esquina”, um marco da MPB que misturava influências dos Beatles, do jazz, do rock progressivo e das raízes mineiras. No mesmo ano, Lô gravou seu primeiro trabalho solo, o lendário “Disco do Tênis”, reverenciado por gerações de músicos no Brasil e no exterior — inclusive por Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, que citou o álbum como referência.
Autor de clássicos como “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Para Lennon e McCartney”, Lô Borges se manteve ativo até o fim da vida. Durante a pandemia, compôs mais de 40 canções inéditas e manteve o ritmo intenso de gravações, lançando um novo disco por ano desde 2019. Seu último trabalho, “Céu de Giz” (2025), foi feito em parceria com Zeca Baleiro.
A carreira de Lô foi marcada pela inventividade e pela fidelidade à própria essência musical. Ao lado dos irmãos Márcio e Marilton Borges, de Milton Nascimento, Beto Guedes, Fernando Brant e outros nomes, o compositor ajudou a consolidar a identidade sonora de Minas Gerais, reconhecida mundialmente por sua poesia e sensibilidade.
Lô deixa o filho Luca Borges, de 27 anos, e um legado que atravessa gerações — um repertório de melodias atemporais que continuam a inspirar artistas dentro e fora do Brasil.
Destaque: O Legado de Lô Borges
Entre os álbuns mais marcantes do artista estão:
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Clube da Esquina (1972, com Milton Nascimento)
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Lô Borges ou Disco do Tênis (1972)
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A Via-Láctea (1979)
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Nuvem Cigana (1982)
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Rio da Lua (2019)
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Chama Viva (2022)
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Tobogã (2024)
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Céu de Giz (2025, com Zeca Baleiro)
Compositor de alma mineira e coração universal, Lô Borges eternizou a poesia das esquinas e o som das montanhas. Sua música continua ecoando — um girassol da cor de seu cabelo, iluminando gerações.
