“Vote com Orgulho”. Esta é a palavra de ordem, o mote da 26ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ da cidade de São Paulo em 2022. E o que vale dizer isso nas atuais circunstâncias? Nada! Não agrega absolutamente nada ao direito dos gays. Ao contrário, sinaliza os homossexuais como seres incapazes de pensar por si próprios, transformando-os em massa de manobra.
A escolha do tema em momento nenhum passa pelo universo gay. Apenas usa o movimento para um objetivo ideológico elementar: eleger representantes convenientes ao pensamento de esquerda política. Para isso basta ver os cartazes e faixas providencialmente espalhados nos eventos que marcam a semana do orgulho gay até o coroamento quando acontece o desfile.
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As organizações das paradas gays no Brasil, infelizmente, não comemoram o orgulho gay. Orgulho é brilhar, brindar, e saudar conquistas. E são muitas se comparadas aos direitos que os gays tinham anos atrás. E o que se enaltece nas manifestações brasileiras? O ódio. Sim, as paradas por aqui são todas contra. Contra a homofobia; contra a transfobia; contra isso; contra aquilo; contra…. Incrível, não vêm nada a favor.
Países como os Estados Unidos, Holanda, Inglaterra, Espanha e muitos outros fazem de suas paradas uma festa com tudo a comemorar. Não há frases de rancor e muito menos de ódio. Tudo é um grande happening.

Empresas e instituições dão de mil a zero nesse discurso ideológico dos organizadores das paradas e contribuem muito mais com a diversidade social. Lojas de roupas, supermercados, redes de fast-food, companhias aéreas, agências de viagem, bancos, clubes de futebol, empreiteiras, canais de TV abriram suas portas para políticas inclusivas e, hoje, contratam homossexuais e transexuais sem o menor preconceito. Sem exigir selo de qualidade ideológico.
Por exemplo, a Cobasi, empresa especializada em pets e produtos de casa e jardim, está totalmente inserida na busca de conscientização de um ambiente de trabalho inclusivo empregando transexuais. O Mercado Livre idem. E não para ai. Tem o Carrefour, o Bradesco (que patrocinou a 25ª Parada do Orgulho Gay), a Nike, a Microsoft (que faz parte da Associação do Fórum de Empresas e Direitos LGBTQIA+), a TIM, a Natura (que pretende compor 30% do seu time com profissionais de grupos sub-representados incluindo perfis de diversidade sexual e identidade de gênero), a Casas Bahia, o Burger King, a Ambev, a Qualicorp, a Latam Airlines, a Netflix, a Riachuelo e mais uma infinidade de empresas.
Diante disso, qual sentido faz “Vote com Orgulho”, senão para discriminar e direcionar uma ideia. Liberdade é tudo. O eleitor (homossexual, heterossexual, pansexual etc) deve votar segundo seus valores e crenças e não por sua orientação sexual. Direcionar o voto é colocar um cabresto em alguém que o movimento supõe ser incapaz.
Será que os LGBTQIA+ vão se submeter a isso?
Por Irineu Ramos Colunista
