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Roberto Cuesta: quatro décadas de rádio, esporte e política na voz de um repórter amazonense

Natural de Tonantins, jornalista construiu uma das trajetórias mais longevas do rádio do Amazonas, com passagens por grandes coberturas esportivas e mais de três décadas dedicadas à Rádio Difusora.


Poucos profissionais conseguem atravessar diferentes gerações do rádio sem perder a ligação com o microfone, com a reportagem e, principalmente, com o público. Roberto Jaime Cuesta Cavalcante, conhecido simplesmente como Roberto Cuesta, é um desses nomes.

Natural de Tonantins, no interior do Amazonas, Cuesta construiu uma trajetória de aproximadamente quatro décadas na comunicação. Em entrevista publicada em 2024, quando contabilizava 38 anos de profissão, ele resumiu a própria vocação em uma frase: “Eu vim para fazer rádio”.

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A relação com o rádio começou ainda na adolescência, quando vivia em Tabatinga. Sem televisão disponível em sua rotina, era pelas ondas do rádio que acompanhava notícias e, principalmente, o futebol. Aos poucos, a curiosidade transformou-se em vocação.

Ainda jovem, pegou um gravador e foi até uma quadra esportiva de Tabatinga para entrevistar participantes de uma partida de futsal. A experiência, inicialmente tratada como uma brincadeira, acabou revelando um talento que posteriormente se transformaria em profissão.

 

Marcelo Araxá, Aderbal Lana e Roberto Cuesta – Foto: Reprodução

 

Do interior para os grandes centros

Antes de consolidar seu nome no Amazonas, Cuesta passou por experiências que ajudaram a formar sua identidade profissional. Durante uma temporada no Rio de Janeiro, buscou contato direto com jogadores e profissionais do futebol e chegou a realizar entrevistas sem crachá ou credencial.

Entre os nomes entrevistados estão Roberto Dinamite, Taffarel, Oscar, Romerito, Falcão, Bebeto, Hortência, além de atletas estrangeiros. A experiência ampliou sua visão sobre o jornalismo esportivo e deu ao jovem repórter uma vivência que posteriormente seria levada para as transmissões no Amazonas.

De volta a Manaus, sua primeira oportunidade profissional surgiu na Rádio Rio Mar, onde começou como estagiário. O período de estágio durou quatro meses e, posteriormente, veio a contratação. Cerca de um ano e meio depois, Cuesta foi reconhecido como repórter revelação do rádio esportivo de Manaus.

A marca da Rádio Difusora

A Rádio Difusora do Amazonas se tornou o principal capítulo de sua trajetória. Segundo o próprio Cuesta, a chegada à emissora ocorreu por convite de Valdir Corrêa, profissional a quem atribui oportunidades decisivas em sua carreira.

Ao longo de décadas, o repórter participou de transmissões esportivas e também acompanhou a política amazonense. Em depoimento publicado em 2024, afirmou que, desde 2000, passou a acompanhar prefeitos e governadores, conciliando a cobertura política com o trabalho nas transmissões esportivas.

A longevidade na emissora também o colocou ao lado de diferentes gerações de profissionais. Roberto Cuesta aparece entre os nomes associados à equipe da Rádio Difusora, emissora que mantém tradição histórica na comunicação amazonense.

 

Arnaldo Santos e Roberto Cuesta – Foto: Arquivo pessoal/Facebook

 

Repórter de grandes momentos do esporte

A carreira de Cuesta ultrapassou as fronteiras do Amazonas. Entre as experiências citadas em sua trajetória estão coberturas de Eliminatórias da Copa do Mundo, competições da Conmebol no Peru, Campeonatos Brasileiros, Copa Ouro, Campeonatos Sul-Americanos de Atletismo, competições de voleibol, Festival de Parintins e desfiles das escolas de samba.

Em 2023, por exemplo, a Federação Amazonense de Futebol destacou Roberto Cuesta como integrante da equipe da Difusora responsável pela cobertura da Série C do Campeonato Brasileiro, ao lado do narrador Adeilson Albuquerque, do comentarista Zezinho Bastos e do repórter Júlio Brasil.

A relação com o futebol amazonense também aparece entre as memórias mais marcantes do jornalista. Ele cita a conquista do tricampeonato do São Raimundo na Copa Norte, a ascensão do Manaus FC à Série C e o acesso do Amazonas FC à Série B como momentos especialmente emocionantes de sua carreira.

Do esporte para a política

Embora tenha se tornado conhecido principalmente pelas reportagens esportivas, Cuesta também consolidou espaço no jornalismo político.

Uma das marcas dessa segunda fase da carreira foi a presença em coberturas de governos, eleições e acontecimentos políticos do Amazonas. Em 2014, por exemplo, o jornalista participou de uma entrevista coletiva com a então presidente Dilma Rousseff, em Manaus, durante passagem da petista pelo Estado.

Essa capacidade de transitar entre esporte e política fez de Cuesta um repórter com atuação em diferentes áreas do jornalismo, mantendo uma característica típica do rádio: estar onde a notícia acontece e transformar o acontecimento em informação para quem está do outro lado do aparelho.

 

Roberto Cuesta – Foto: Arquivo pessoal/Facebook

 

“O rádio nunca vai acabar”

Em uma época em que plataformas digitais, redes sociais, podcasts e transmissões pela internet modificaram profundamente o consumo de informação, Cuesta mantém uma convicção construída durante décadas de profissão: o rádio não desapareceu — adaptou-se.

Em entrevista, ele lembra que, quando a internet começou a ganhar força, muitos previram o fim do rádio. Para o jornalista, aconteceu justamente o contrário: o rádio incorporou a internet e ganhou novas ferramentas para apurar, transmitir e distribuir informação.

A própria carreira de Cuesta ajuda a ilustrar essa transformação. O profissional que começou com um gravador simples no interior do Amazonas passou por transmissões tradicionais, grandes estádios e coberturas políticas e esportivas e hoje também está inserido no ambiente digital.

Uma história que virou documentário

A trajetória ganhou ainda um projeto audiovisual próprio. O canal “Roberto Cuesta Trajetória” apresenta o documentário “Minha Trajetória Profissional, Roberto Cuesta”, criado para registrar histórias, lembranças e episódios de sua carreira.

A proposta é preservar não apenas a memória pessoal do repórter, mas parte da própria história do rádio esportivo e político do Amazonas.

Em 2024, ao ser homenageado em uma reportagem especial, Cuesta reafirmou sua relação visceral com a profissão. A frase “eu vim para fazer rádio” talvez seja a melhor síntese de uma carreira que começou no interior, passou pela Rádio Rio Mar, ganhou projeção nacional em coberturas esportivas e encontrou na Rádio Difusora do Amazonas sua principal casa profissional.

Hoje, ao olhar para aproximadamente quatro décadas de profissão, a história de Roberto Cuesta se confunde com a própria evolução do rádio amazonense: da transmissão pelas ondas do rádio ao ambiente digital, do futebol à política, do interior aos grandes estádios e dos primeiros gravadores às novas plataformas de comunicação.

Mais do que uma trajetória individual, é o registro de uma geração de profissionais que fez do rádio uma forma de contar o Amazonas para o próprio Amazonas.