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No centenário de Fidel Castro, Lula diz que ex-presidente cubano foi decisivo para sua trajetória política

Em mensagem enviada a evento em Havana, presidente brasileiro afirmou que deve a Fidel “estímulo” e “sabedoria”; homenagem ocorre enquanto Cuba enfrenta uma das mais graves crises econômicas de sua história recente.


Lula e Fidel Castro, em visita do petista a Havana durante o primeiro mandato do presidente brasileiro, em 2003  – Foto: Alejandro Ernesto/EFE

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a influência de Fidel Castro foi importante para sua trajetória política e declarou que o ex-líder cubano lhe deu “estímulo” e “sabedoria”. A declaração foi enviada a um evento realizado em Havana em homenagem ao centenário do nascimento de Fidel, celebrado nesta quinta-feira (13).

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A mensagem de Lula foi lida na quarta-feira (12) pelo teólogo e escritor Frei Betto, segundo a agência estatal cubana Prensa Latina.

“Se hoje estou pela terceira vez à frente da presidência do Brasil, é graças ao estímulo e à sabedoria de Fidel Castro”, afirmou o presidente brasileiro na mensagem.

Lula também enviou uma saudação ao povo cubano e desejou que “a fraternidade e a justiça persistam em meio às adversidades”, em referência ao atual cenário enfrentado pela ilha.

Centenário ocorre em meio à crise cubana

A homenagem acontece em um momento particularmente delicado para Cuba. O país enfrenta uma grave crise econômica, marcada por problemas no abastecimento de energia, dificuldades na produção e escassez de diversos produtos.

Segundo a Reuters, Cuba marcou os 100 anos do nascimento de Fidel em meio a uma das piores crises econômicas e políticas de sua história recente. Mais de 1,5 mil delegados estrangeiros participaram das atividades realizadas em Havana para lembrar o legado do ex-presidente.

O governo de Miguel Díaz-Canel também tem adotado mudanças econômicas para tentar enfrentar a deterioração da situação. Entre as medidas estão reformas destinadas a ampliar a participação de investimentos privados e estrangeiros em determinados setores da economia.

Relação entre Lula e Fidel

A proximidade política entre Lula e Fidel Castro se estendeu por décadas. O presidente brasileiro esteve em Cuba durante seus primeiros mandatos e manteve encontros com o líder cubano.

Lula também já havia feito elogios públicos a Fidel. Após a morte do ex-presidente cubano, em novembro de 2016, o petista classificou o líder revolucionário como uma figura de grande importância para a América Latina e afirmou sentir sua morte como a perda de um “irmão mais velho” e “companheiro”.

A relação política entre os dois também esteve associada ao Foro de São Paulo, organização fundada em 1990 por partidos e movimentos de esquerda latino-americanos. O encontro que deu origem ao grupo contou com a participação do Partido dos Trabalhadores e de organizações políticas de diferentes países da região.

 

Lula e Fidel Castro se encontram para reunião com partidos de esquerda latino-americanos, em São Paulo, no ano de 1989 – Foto: Luiz Prado

 

Cuba e os governos do PT

A relação entre Brasil e Cuba ganhou destaque durante os governos petistas também por causa de projetos de infraestrutura e financiamentos concedidos por instituições brasileiras.

Um dos principais casos foi a construção e modernização do Porto de Mariel, em Cuba, realizada com participação da empreiteira brasileira Odebrecht e financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O financiamento se tornou alvo de debates políticos no Brasil, especialmente após Cuba deixar de pagar parcelas da dívida. O tema passou a ser utilizado por adversários do PT para questionar a política de crédito internacional adotada durante os governos anteriores de Lula e Dilma Rousseff.

Fidel morreu em 2016

Fidel Castro morreu em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos. Ele comandou Cuba desde a Revolução Cubana de 1959 e permaneceu como principal liderança política do país por décadas.

Em 2006, por problemas de saúde, transferiu provisoriamente o poder ao irmão, Raúl Castro. Em 2008, deixou formalmente a Presidência e, posteriormente, também a liderança do Partido Comunista Cubano.

Mesmo afastado dos cargos de governo, Fidel continuou sendo uma das principais referências políticas da esquerda latino-americana até sua morte.

O centenário de seu nascimento, celebrado nesta quinta-feira, voltou a colocar no centro do debate internacional o legado político do líder cubano, assim como as controvérsias relacionadas ao regime que comandou por quase meio século.

A mensagem de Lula reforça a relação histórica entre o presidente brasileiro e Fidel Castro e ocorre enquanto o governo cubano tenta responder à profunda crise econômica enfrentada pela ilha.