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MST e Movimentos Sociais organizam COP paralela devido aos altos preços de hospedagem em Belém

Com o aumento exponencial das tarifas de hotéis para a COP30 em Belém, grupos indígenas, o MST e outras organizações sociais planejam eventos paralelos para garantir maior participação e visibilidade durante o evento internacional.


Ministra Sonia Guajajara visitou a Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), que irá sediar a “Aldeia COP” iniciativa que irá garantir a hospedagem de cerca de 3 mil indígenas durante a COP30 – Foto: Alexandre de Moraes/ASCOM-UFPA

Em meio à expectativa pela COP30, marcada para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém do Pará, a crise dos preços elevados nas acomodações está gerando repercussão. Organizações da sociedade civil, movimentos sociais, sindicatos e grupos indígenas estão se unindo para realizar eventos paralelos e autônomos à conferência, que, segundo eles, não atenderá às necessidades de inclusão de delegações mais vulneráveis.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros grupos identificaram uma lacuna nos preparativos da COP30, particularmente no que tange à infraestrutura hoteleira. A cidade de Belém, que dispõe de cerca de 20 mil leitos, enfrenta uma demanda muito maior, com estimativas de 50 mil participantes, o que tem elevado os preços das diárias a níveis inacessíveis para muitos. Em agosto, 90% das delegações ainda não haviam garantido hospedagem, conforme informações do secretariado da ONU.

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Em resposta à crise, o MST organizou eventos paralelos, incluindo um ciclo de debates em São Paulo, além de um acampamento em Belém, onde aproximadamente 3 mil indígenas ficarão alojados na “Aldeia COP”, instalada na Escola de Aplicação da UFPA. Já o governo federal contratou navios de luxo para atuar como hotéis flutuantes, adicionando 6 mil leitos à rede local.

A situação gerou críticas sobre a capacidade do Brasil de cumprir a promessa de uma COP inclusiva. Para analistas, a falta de acomodações adequadas e a exclusão de movimentos sociais podem enfraquecer a agenda ambiental do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca destacar a Amazônia como palco central de discussões globais sobre o clima.

O MST, por sua vez, articula a realização de assembleias populares simultâneas em todas as capitais durante os dias da COP30, como forma de protestar contra o distanciamento do evento das necessidades reais da população. De acordo com o líder do MST, João Pedro Stédile, o governo federal e as grandes empresas irão “ficar isolados” durante a conferência, longe das pressões e demandas do povo.

Além disso, movimentos como a “Cúpula dos Povos pela Justiça Climática”, que ocorrerá entre 12 e 16 de novembro, devem destacar o abismo entre as promessas da COP30 e a urgência das questões enfrentadas por comunidades tradicionais e grupos marginalizados. Com foco em justiça climática, proteção territorial e combate ao racismo ambiental, essa COP paralela promete ser uma voz crítica no cenário da conferência oficial.

A crescente mobilização reflete o crescente descontentamento com as políticas de hospedagem e a exclusão de grupos fundamentais da discussão, colocando em xeque os objetivos da COP30 de promover uma agenda verdadeiramente inclusiva e representativa das necessidades da Amazônia e do planeta.