A tragédia provocada pelas chuvas intensas que atingem Minas Gerais ganhou ampla repercussão na França nesta sexta-feira (27). O jornal francês Le Monde publicou reportagem destacando a dimensão do desastre em Juiz de Fora e Ubá e criticando o que classificou como falta de preparo das autoridades brasileiras diante de fenômenos climáticos extremos.

Registro mais de 112 mm de chuva no bairro de Linhares, em apenas 1 hora – Foto: Reprodução/Prefeitura/Juiz de Fora
Segundo a publicação, os deslizamentos de terra e as inundações “semearam o caos” principalmente em Juiz de Fora e Ubá. Dezenas de pessoas morreram, há desaparecidos e mais de quatro mil moradores estão desalojados. Equipes de resgate e voluntários seguem nas buscas por vítimas e também atuam no salvamento de animais separados de seus tutores.
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Em sua análise, o diário francês afirma que a tragédia expõe a vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de eventos climáticos extremos, intensificados pelo aquecimento global. A reportagem ressalta que Juiz de Fora, apesar de possuir grande população vivendo em áreas de risco, não conseguiu acessar recursos federais destinados a obras preventivas. Ao mesmo tempo, o governo estadual teria reduzido o orçamento voltado à prevenção de desastres relacionados às chuvas.
O estado registra índices pluviométricos recordes desde o início de fevereiro, e a previsão indica a continuidade das fortes precipitações nos próximos dias, com possibilidade de avanço das tempestades para outras regiões, incluindo Belo Horizonte e áreas da Bahia.

Foto: Pablo Porciuncula/AFP/Getty Images
Imagens chocam telespectadores
As cenas de destruição também dominaram a cobertura de emissoras francesas. O canal TF1 classificou a situação como “absolutamente terrível”, enquanto a BFMTV alertou que as chances de encontrar sobreviventes diminuem com o passar do tempo. Já o site da rádio FranceInfo destacou que este fevereiro é o mais chuvoso da história no Sudeste do Brasil.
Nas redes sociais, a bailarina brasileira Luciana Sagioro, primeira artista do país a integrar a Opéra de Paris e natural de Juiz de Fora, fez um apelo por doações. Em publicação no Instagram, ela descreveu a situação como o momento mais difícil da história recente das cidades atingidas e pediu apoio financeiro e compartilhamento das informações para ampliar a rede de solidariedade.
Cobertura de agências e jornais estrangeiros
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A agência Associated Press destacou o aumento de mortos e desaparecidos na região de Juiz de Fora e Ubá, com equipes de resgate trabalhando em meio às enchentes e deslizamentos. A matéria relatou que as chuvas provocaram destruição generalizada e milhares de deslocados, e mencionou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja visitar as áreas afetadas e que o governo liberou recursos para ajuda humanitária.
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A Reuters informou que pelo menos 30 pessoas morreram e 39 estavam desaparecidas nos primeiros dias do desastre, enfatizando o estado de calamidade pública declarado em Juiz de Fora para facilitar a ajuda e assistência.
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Outra matéria da Reuters atualizou o número de mortos para 46, relatando o deslocamento de milhares de moradores e destacando o trabalho de equipes de emergência.
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A agência Associated Press também noticiou que o número de mortos subiu para 59 e que os serviços de resgate continuavam, com alertas de que mais chuva poderia agravar ainda mais a situação.

Imagem de drone mostra o local de um prédio que desabou em Juiz de Fora e causou a morte de dezenas de moradores deixando muitos desaparecidos, em 24 de fevereiro de 2026 – Foto: Pilar Olivares/REUTERS
Repercussão na imprensa europeia
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O jornal espanhol El País publicou que as chuvas torrenciais deixaram ao menos 53 mortos e várias pessoas desaparecidas em Minas Gerais, com deslizamentos e o desbordamento do rio Paraibuna causando grandes inundações. A matéria também ressaltou a fragilidade das áreas afetadas, onde cerca de um quarto da população vive em zonas de risco e que muitas pessoas retornaram às casas ameaçadas por medo de saques, apesar dos riscos.
Contexto internacional sobre clima e gestão de riscos
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Em reportagens estrangeiras, analistas e especialistas frequentemente contextualizam o desastre lembrando que eventos climáticos extremos — como chuvas intensas e enchentes — estão se tornando mais frequentes globalmente devido às mudanças climáticas, e apontam a necessidade de adaptar infraestrutura e sistemas de prevenção em áreas vulneráveis.
Posicionamento oficial e medidas anunciadas
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Coletiva de imprensa: Romeu Zema falou publicamente sobre a destruição provocada pelas chuvas em uma coletiva na tarde de 24 de fevereiro, quando os temporais já haviam deixado dezenas de mortos e desaparecidos. Na ocasião, ele destacou a resposta das forças de segurança e a mobilização das equipes de resgate e assistência no estado.
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Ações de socorro: O governo estadual informou que montou uma força-tarefa com Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outras áreas estaduais para atuar no resgate e apoio às vítimas. Zema acompanhou de perto as operações e reforçou que o estado intensificaria os esforços para prestação de socorro e recuperação nas áreas afetadas.
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Visita a Ubá: Durante visita à cidade de Ubá no dia 25 de fevereiro, o governador foi cobrado por moradores por falta de apoio imediato, como ausência de caminhões-pipa e equipamentos de limpeza, e relatos de demora no envio de mantimentos.
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Decreto de luto: Zema decretou três dias de luto oficial em Minas Gerais em homenagem às vítimas dos temporais.
Críticas e controvérsias
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Questionamento de investimento em prevenção: Diversos veículos e análises apontaram que o governo de Minas teria reduzido drasticamente os recursos destinados a ações de prevenção e infraestrutura voltadas para enfrentar temporais e enchentes nos últimos anos, com queda significativa nos gastos entre 2023 e 2025. Essa informação tem sido usada por críticos para relacionar a falta de preparo com a dimensão da tragédia.
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Cobrança pública: Em Ubá, moradores chegaram a protestar contra o governador, afirmando que a ajuda estatal não estava chegando com a rapidez e estrutura necessários.
Em resumo, Zema tem reconhecido a gravidade da situação, acompanhado diretamente as ações de socorro e reforçado a participação do governo estadual na resposta ao desastre. Ao mesmo tempo, críticas importantes surgiram em relação à gestão de recursos e à capacidade de prevenção de desastres climáticos, gerando debate público e político sobre as causas e responsabilidades diante da tragédia.
Reconhecimento da calamidade e mobilização federal
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O **governo federal reconheceu oficialmente o estado de calamidade pública em Juiz de Fora — decisão que permite agilizar ajuda humanitária e liberação de recursos emergenciais. A publicação do reconhecimento foi feita em edição extra do Diário Oficial da União pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
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A Defesa Civil Nacional deslocou equipes técnicas especializadas para atuar diretamente nas ações de assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução.
Ações imediatas e envio de equipes
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O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que as equipes federais permanecerão na Zona da Mata mineira, com atuação contínua nos trabalhos de busca e resgate, apoio às pessoas desabrigadas, recuperação de serviços e limpeza urbana — e que o governo empregará todos os recursos necessários para a resposta emergencial.
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Equipes da Força Nacional do SUS, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do Departamento de Emergências em Saúde Pública também estão engajadas no atendimento à população afetada.
Recursos financeiros e assistência às vítimas
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O governo federal liberou recursos emergenciais para os municípios mais atingidos: cerca de R$ 3,4 milhões foram destinados a Juiz de Fora e Ubá para assistência humanitária e recuperação de infraestrutura básica.
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Além disso, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome repassou aproximadamente R$ 1,43 milhão em cofinanciamento para abrigos, mantimentos, água, colchões, produtos de higiene e serviços de apoio em regiões afetadas.
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O governo também anunciou repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada para apoiar prefeituras no atendimento emergencial das famílias atingidas.
Visita e coordenação federal
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Waldez Góes programaram visita aos municípios afetados (incluindo Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa) para sobrevoar as áreas atingidas e se reunir com prefeitos, reforçando o compromisso do governo federal com a resposta ao desastre.
Medidas complementares
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A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou medidas emergenciais tributárias, como prorrogação de vencimentos de parcelas para contribuintes domiciliados nas áreas em estado de calamidade, como forma de atenuar impactos econômicos locais.
Resumo: O governo federal tem destacado a mobilização de equipes técnicas, reconhecimento formal de calamidade pública, liberação de recursos emergenciais, apoio nas ações de assistência às populações desabrigadas e coordenação com prefeituras e órgãos de Defesa Civil para enfrentar os efeitos das chuvas intensas em Minas Gerais.
