Entre janeiro e setembro de 2024, o déficit financeiro dos Correios já alcançava R$ 2,1 bilhões, sem perspectivas de reversão no curto prazo. Naquele momento, o governo alegou que os Correios haviam realizado investimentos em tecnologia, renovação da frota e infraestrutura, parte de um plano para tornar a empresa mais eficiente. No entanto, esses investimentos não foram suficientes para evitar o agravamento da situação financeira.
Em resposta à crise, a direção dos Correios anunciou um plano de reestruturação visando cortar R$ 1,5 bilhão em gastos. As medidas incluem a prorrogação de um programa de demissões voluntárias, suspensão temporária de férias, redução da jornada de trabalho com diminuição proporcional dos salários e corte de cargos comissionados. Além disso, a empresa pretende retomar o trabalho presencial para todos os empregados e adotar novos formatos de planos de saúde mais econômicos.
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Correios registra prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024, aponta demonstrações financeiras – Foto: Reprodução
O foco do plano está nas despesas com pessoal, que representam uma parte significativa dos custos da empresa, que conta com cerca de 84 mil funcionários. Enquanto a receita total dos Correios caiu 0,89% em 2024, as despesas aumentaram 7,91%.
Apesar da capilaridade e presença em praticamente todos os municípios do país, os Correios não conseguiram aproveitar o crescimento do comércio eletrônico a seu favor. Enquanto o e-commerce no Brasil cresceu 10,5% em 2024, a receita líquida com vendas e serviços dos Correios, incluindo encomendas, recuou 1,74%. A receita com vendas e serviços internacionais diminuiu 11,98%, impactada pela implementação da “taxa das blusinhas”, que passou a taxar compras internacionais de até US$ 50.
No Senado, a oposição pretende explorar os maus resultados dos Correios, investigando patrocínios, contratos e eventuais irregularidades que possam gerar repercussão. No entanto, os problemas da empresa parecem ser de natureza estrutural, como evidenciam o balanço financeiro e o plano de reestruturação apresentado recentemente.
A realização de um concurso público no final de 2024 para contratar 3,5 mil empregados levanta questionamentos sobre as prioridades da empresa diante de um prejuízo bilionário. Embora a substituição de funcionários prestes a se aposentar seja uma justificativa, não parece ser a medida mais adequada em um momento de crise financeira.
Diante da resistência do governo à privatização de estatais, seria esperado que houvesse um esforço para que empresas públicas como os Correios apresentassem resultados financeiros sustentáveis. No entanto, o desempenho da empresa indica que a gestão pública ainda enfrenta desafios significativos para garantir a eficiência e a viabilidade financeira de suas operações.
