
O jornalista Carlos Monforte, primeiro apresentador do telejornal ‘Bom Dia, Brasil’ – Ailton de Freitas/Agência Globo
O jornalista Carlos Monforte morreu aos 77 anos nesta segunda-feira (31), em Brasília. A informação foi confirmada pela família à TV Globo, emissora onde ele trabalhou por 36 anos.
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A causa da morte não foi divulgada oficialmente. Segundo informações publicadas pela imprensa, Monforte fazia tratamento contra um câncer.
Considerado um dos pioneiros do modelo de âncora no telejornalismo brasileiro, o jornalista teve uma longa trajetória na televisão. Além do Bom Dia Brasil, passou por programas como Jornal da Globo, Jornal Hoje, Jornal das Dez e Espaço Aberto, além de atuar como repórter especial e em funções de chefia.
Carreira começou em Santos
Nascido em Santos, no litoral de São Paulo, em 3 de julho de 1949, Carlos Monforte iniciou a carreira jornalística no jornal A Tribuna, enquanto cursava Jornalismo.
Ele concluiu a graduação em 1972, na Faculdade de Comunicação de Santos. Posteriormente, trabalhou como assessor de comunicação na Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e como repórter especial de O Estado de S. Paulo.
Em 1978, ingressou na TV Globo.
Primeiro apresentador do Bom Dia Brasil
O jornalista assumiu um papel histórico na televisão brasileira em janeiro de 1983, quando se tornou o primeiro editor-chefe e apresentador do recém-criado Bom Dia Brasil.
Monforte permaneceu à frente do telejornal durante nove anos, ajudando a consolidar o formato e a figura do apresentador que também participa diretamente da edição e definição dos assuntos exibidos.
Antes disso, em 1982, havia sido editor-chefe e apresentador do Bom Dia São Paulo.
Durante sua passagem pela Globo, também participou de grandes coberturas jornalísticas, incluindo as greves dos metalúrgicos do ABC paulista.
Episódio envolvendo Rubens Ricupero
Um dos episódios mais conhecidos da carreira de Carlos Monforte aconteceu em 1994, durante o início do Plano Real.
Na época, o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, conversava informalmente com o jornalista antes de uma entrevista ao Jornal da Globo. Sem que os envolvidos soubessem, o áudio da conversa foi captado por antenas parabólicas em São Paulo.
Durante o diálogo, Ricupero fez comentários sobre a divulgação de indicadores econômicos e sobre a estratégia de comunicação do governo.
A gravação veio a público e provocou forte repercussão política. Ricupero acabou deixando o cargo de ministro da Fazenda.
O episódio ficou conhecido como “escândalo da parabólica” e entrou para a história do jornalismo político brasileiro.
Atuação na GloboNews
Carlos Monforte deixou a Globo em 1992, mas retornou à emissora dois anos depois como repórter especial em Brasília.
Posteriormente, passou a atuar na GloboNews, onde apresentou o Espaço Aberto e o Jornal das Dez. Também exerceu a função de coordenador da GloboNews em Brasília.
Ao longo dos anos, trabalhou ainda no Jornal Hoje e voltou ao Bom Dia Brasil.
Monforte deixou a Globo definitivamente em 2016, depois de décadas dedicadas ao jornalismo.
Legado no jornalismo
Com atuação em reportagem, apresentação e edição, Carlos Monforte construiu uma carreira marcada pela cobertura política e pelos grandes acontecimentos do país.
Seu trabalho atravessou diferentes fases da televisão brasileira e contribuiu para a consolidação de um modelo de jornalismo em que o apresentador também desempenhava papel importante na edição e na condução editorial dos telejornais.
A morte do jornalista aos 77 anos encerra uma trajetória de quase quatro décadas ligada à Globo e deixa uma marca na história do telejornalismo brasileiro.
Velório e cremação
O velório de Carlos Monforte será realizado nesta terça-feira (1º de setembro), em Brasília. A cerimônia está prevista para ocorrer das 13h às 15h, na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança.
A cremação está marcada para as 15h15.
Monforte viveu em Brasília durante grande parte de sua carreira e se tornou um dos jornalistas mais conhecidos na cobertura política da capital federal.
