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Brasil diante das tarifas de Trump: governo busca resposta sem espantar investidores

Especialistas alertam para riscos de retaliação direta; alternativas diplomáticas, jurídicas e econômicas ganham força como formas de preservar o investimento estrangeiro.


A partir do dia 1° de agosto, itens produzidos no Brasil pagarão tarifa de 50% para entrarem no mercado estadunidense • Foto: Reprodução

Com a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o governo Lula enfrenta o desafio de reagir com firmeza sem comprometer ainda mais a confiança dos investidores no país.

Embora a chamada lei da reciprocidade econômica, sancionada em abril, permita medidas como a elevação de tarifas sobre produtos norte-americanos e até a quebra de patentes, especialistas ouvidos pela CNN alertam que retaliações diretas podem gerar efeitos colaterais significativos, como inflação, fuga de empresas e desvalorização de ativos locais.

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Segundo o advogado Celso Figueiredo, especialista em comércio exterior, ainda falta uma regulamentação clara para a nova lei, mas o presidente Lula pode adotar medidas unilaterais, como decretos presidenciais, para aumentar tarifas ou estabelecer novas regras.

Além da retaliação tarifária, o governo pode recorrer a ações como:

  • Tributação específica de multinacionais norte-americanas como Google (Alphabet) e Meta, por meio de tributos sobre remessas ao exterior;

  • Imposição de tributos sobre dividendos enviados para matrizes fora do país;

  • Ações junto à OMC, buscando enquadrar a medida dos EUA como violação de regras internacionais de comércio;

  • Negociações bilaterais e uso de canais diplomáticos, na tentativa de reverter a decisão antes do prazo final.

No entanto, o tributarista Márcio Alabarce alerta que uma resposta precipitada pode agravar o cenário:

“Elevar a carga tributária pode reduzir o valor das empresas e tornar o Brasil menos competitivo na atração de capital internacional”.

Para evitar maiores danos econômicos e políticos, fontes próximas ao Planalto indicam que o governo deve explorar ao máximo as vias diplomáticas e jurídicas, mantendo a retaliação como último recurso — conforme declarou o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, nesta semana.

Com o prazo se esgotando, o desafio do Planalto é encontrar um equilíbrio entre firmeza e responsabilidade, protegendo os interesses nacionais sem fechar as portas ao investimento e à cooperação internacional.

Com informações da CNN