
Casa Moreira Salles em Poços de Caldas — Foto: Acervo Instituto Moreira Salles (IMS)
A família Moreira Salles, tradicionalmente associada ao setor bancário, tornou-se referência global em um dos mercados mais estratégicos do mundo: o do nióbio, um metal fundamental para a inovação tecnológica e a transição energética. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), controlada pela família desde os anos 1950, é hoje responsável por mais de 80% da oferta global do insumo, amplamente utilizado em setores como construção civil, indústria aeroespacial, baterias de alta performance e equipamentos médicos.
Fundada em 1955 em Araxá (MG), a CBMM surgiu de uma aposta ousada em um mineral cujas aplicações eram, até então, pouco compreendidas. Hoje, a empresa opera com uma capacidade instalada de 150 mil toneladas de ferronióbio por ano e mantém um portfólio de mais de 500 clientes em 50 países, com centros de distribuição em todos os continentes.
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Em 2024, a companhia investiu R$ 269 milhões em pesquisa e desenvolvimento, consolidando centros como o Centro de Materiais para Baterias, onde se desenvolvem soluções para setores de mobilidade elétrica e armazenamento de energia — áreas que tiveram crescimento de mais de 50% nas vendas de nióbio para baterias apenas no último ano.
O poder por trás do metal
A atuação da família no comando da CBMM é discreta, porém decisiva. O banqueiro e empresário Pedro Moreira Salles, ex-presidente do Itaú Unibanco, é atualmente o presidente do Conselho de Administração da CBMM. Seus irmãos — Fernando Roberto, João e o cineasta Walter Salles — também integram o círculo de controle da empresa.
O legado do patriarca Walther Moreira Salles (1912–2001), que teve papel central na diplomacia e no setor financeiro brasileiro, hoje reverbera não apenas nos negócios, mas também na cultura. Walter Salles, diretor do premiado “Central do Brasil”, voltou aos holofotes após o filme “Ainda estou aqui” — sua obra mais recente — conquistar o primeiro Oscar da história do cinema brasileiro.
Na lista da Forbes de 2025, os irmãos Moreira Salles aparecem entre os maiores bilionários do país. Fernando Roberto ocupa o 6º lugar, com fortuna estimada em US$ 6,5 bilhões; Pedro, logo atrás, com US$ 6,1 bilhões; João e Walter Salles, com cerca de US$ 4,5 bilhões cada. Embora a origem de parte desse patrimônio esteja no sistema financeiro, o nióbio tem se mostrado uma alavanca crucial para a preservação e ampliação dessa fortuna nas últimas décadas.

A família Moreira Salles – Foto: Reprodução
Muito além da mineração
A trajetória da CBMM mostra que o grupo não se contentou com a simples extração mineral. A empresa apostou na industrialização de ponta, com forte investimento em inovação, tecnologia e sustentabilidade. As aplicações do nióbio vão de aços especiais para carros mais leves e resistentes, passando por turbinas aeroespaciais, até baterias capazes de recarregar em menos de 10 minutos.
Esse posicionamento levou a CBMM a um papel central na transição energética global, já que o nióbio tem sido considerado um “metal do futuro”, com aplicações críticas em setores estratégicos como o aeroespacial, eletrônico e médico. A empresa também é destaque por sua atuação ambientalmente responsável, com processos de reaproveitamento de rejeitos e metas claras de redução de emissões.
Um império familiar de múltiplas faces
O império Moreira Salles é um dos mais singulares do Brasil por sua diversificação. No setor financeiro, o nome se consolidou com o Unibanco, posteriormente fundido com o Itaú, criando o maior banco privado do Hemisfério Sul. Já no setor cultural, João e Walter Salles são notáveis produtores, cineastas e patrocinadores da arte brasileira.
A força dos negócios, no entanto, tem como sustentáculo silencioso a CBMM, que, embora evite os holofotes, se mantém como peça-chave na geopolítica dos minerais estratégicos. O que começou como uma aposta ousada da família nos anos 50 hoje se transformou em um dos ativos industriais mais valiosos do país, combinando tecnologia, recursos naturais e visão de longo prazo.
O Império do Nióbio dos Moreira Salles
CBMM — Líder Global em Nióbio
Localização: Araxá (MG), Brasil
Fundação: 1955
Capacidade produtiva: 150 mil toneladas/ano
Participação no mercado global: +80%
Clientes: 500 empresas em 50 países
Investimento em P&D (2024): R$ 269 milhões (+12% vs. 2023)
📍 Sede mundial e operações de extração e processamento no Brasil, com centros logísticos e escritórios em todos os continentes.
Aplicações do Nióbio (por setor)
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Construção civil e infraestrutura:
➜ Aços mais leves e resistentes (ferronióbio standard) -
Aeroespacial e energia:
➜ Ligas de grau vácuo (motores de avião, turbinas) -
Saúde e eletrônica:
➜ Nióbio metálico (ressonância magnética, aceleradores de partículas) -
Mobilidade elétrica:
➜ Óxidos de nióbio (baterias ultrarrápidas)
Venda de nióbio para baterias cresceu mais de 50% em 2024.
Família Moreira Salles
Controladores da CBMM e herdeiros do Unibanco
| Nome | Papel | Fortuna (2025) |
|---|---|---|
| Pedro Moreira Salles | Presidente do Conselho CBMM | US$ 6,1 bi |
| Fernando R. Salles | Empresário e investidor | US$ 6,5 bi |
| João Moreira Salles | Documentarista e produtor | US$ 4,5 bi |
| Walter Salles | Cineasta, vencedor do Oscar | US$ 4,5 bi |
Pedro teve papel central na fusão Itaú-Unibanco em 2009.
CBMM em Números Globais
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Presente em todos os continentes
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Usado em infraestrutura de 50 países
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10+ patentes internacionais em materiais avançados
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Rede logística internacional ativa (armazéns e escritórios)
O Futuro: Do Aço à Energia Verde
Novas frentes estratégicas da CBMM:
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Baterias para veículos elétricos
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Armazenamento de energia renovável
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Indústria aeroespacial e médica
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Indústria química e catalisadores
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Setores de tecnologia e eletrônica
CBMM amplia portfólio com foco em inovação sustentável.
