Justiça

Rio de Janeiro

Lutador de jiu-jítsu é preso após sequência de ataques brutais contra mulheres em condomínio no Rio

Câmeras de segurança registraram uma das agressões dentro de um elevador, onde uma moradora foi espancada com socos, chutes e golpes de estrangulamento. Uma idosa de 65 anos também foi atacada e permanece hospitalizada. Polícia investiga o caso como tentativa de feminicídio, além de outros crimes.


Foto: Reprodução

 

Um episódio de extrema violência chocou moradores de um condomínio na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Um lutador de jiu-jítsu, identificado como Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos, foi preso nesta sexta-feira (6), suspeito de protagonizar uma sequência de agressões contra mulheres e ameaçar moradores do edifício.

Continua depois da Publicidade

O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (5), em um prédio localizado na Avenida Maracanã. Imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que o homem ataca uma vizinha dentro de um elevador. A vítima é atingida por diversos socos e chutes, além de sofrer golpes de estrangulamento. A violência foi tão intensa que o interior do elevador ficou coberto de sangue.

Segundo informações da Polícia Civil, a ocorrência começou após vizinhos ouvirem gritos e relatos de agressões na residência do suspeito. A situação rapidamente se agravou quando Lucas teria deixado o próprio apartamento e passado a invadir outras unidades do condomínio, ameaçando os moradores.

Em determinado momento, conforme os relatos reunidos pela investigação, ele teria gritado que iria matar todos os moradores do prédio. Uma das vizinhas conseguiu escapar com a família pelas escadarias, diante do comportamento agressivo do homem.

Idosa de 65 anos também foi atacada

Durante a sequência de invasões, o suspeito teria entrado em outro apartamento e agredido uma mulher de 65 anos. A vítima precisou ser encaminhada ao hospital e, segundo as informações divulgadas nesta sexta-feira, permanecia internada.

Uma terceira moradora tentou ajudar a idosa depois de ouvir os gritos. Ao abrir a porta do elevador, porém, encontrou o agressor e acabou se tornando mais uma vítima. As imagens de segurança registraram o ataque, que incluiu socos, chutes e estrangulamentos durante vários minutos.

Os registros foram recolhidos pela Polícia Civil e passaram a integrar o conjunto de provas da investigação.

 

Foto: Reprodução

 

Prisão foi autorizada pela Justiça

Agentes da 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira) realizaram diligências, ouviram vítimas e testemunhas e reuniram elementos para solicitar a prisão temporária do suspeito.

O mandado foi autorizado pela Justiça e cumprido nas primeiras horas desta sexta-feira (6). Depois de preso, Lucas foi encaminhado ao sistema penitenciário e transferido para o Presídio de Benfica, onde permanece à disposição da Justiça.

A investigação apura possíveis crimes de tentativa de feminicídio, ameaça, violação de domicílio, lesão corporal e resistência.

Violência dentro de casa e a gravidade das agressões

O episódio chama atenção não apenas pela quantidade de vítimas, mas também pela gravidade dos ataques e pelo ambiente em que ocorreram: um condomínio residencial, onde moradores precisaram fugir de seus próprios apartamentos para escapar da violência.

A utilização de técnicas de luta contra mulheres em situação de vulnerabilidade também reforça a gravidade das agressões. O treinamento em artes marciais não constitui justificativa para o uso da força contra terceiros e pode ampliar o potencial de lesões quando empregado em ataques dessa natureza.

A investigação deverá esclarecer a motivação dos ataques, a dinâmica completa das invasões e a responsabilidade criminal do suspeito. Até o momento, as informações divulgadas não esclarecem o que teria desencadeado a sequência de violência.

 

 

Novos detalhes: suspeito foi baleado e chegou a ser liberado

Novas informações divulgadas por veículos nacionais nesta sexta-feira acrescentaram detalhes importantes à ocorrência. Segundo a Rádio Itatiaia, o lutador chegou a ser detido na madrugada de quinta-feira, mas acabou liberado depois de receber atendimento médico. Na ocasião, o caso ainda não havia sido analisado com todos os elementos que posteriormente chegaram às mãos dos investigadores.

Durante a primeira abordagem, Lucas teria resistido à ação de policiais militares e tentado tomar a arma de um dos agentes. Conforme os registros policiais citados pela imprensa, ele foi atingido por disparos nas pernas. Mesmo ferido, ainda teria tentado fugir, sendo finalmente imobilizado com uma arma de choque.

A mudança no rumo da investigação ocorreu após a Polícia Civil reunir imagens das câmeras de segurança, ouvir testemunhas e analisar os relatos das vítimas. Com esses elementos, a 18ª DP solicitou uma nova medida judicial, que resultou na prisão do suspeito na sexta-feira.

A Agência Estado, em reportagem publicada pelo UOL às 13h55, informou que a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Portanto, a informação mais recente disponível é de que Lucas permanece preso preventivamente, e não apenas sob prisão temporária.

Imagens mostram violência por quase três minutos

A gravação do elevador, divulgada pela imprensa, revela a dimensão da violência. A vítima é atingida repetidamente, tem a cabeça golpeada contra as paredes e o chão da cabine e sofre um golpe conhecido nas artes marciais como mata-leão.

Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, foram registrados mais de 30 golpes entre socos e cotoveladas. A vítima tenta se proteger, mas continua sendo atacada mesmo depois de cair no chão.

O episódio também chamou atenção pela presença de dois cães no elevador durante parte das agressões.

Investigação e situação judicial

A Polícia Civil apura a sequência de invasões, as ameaças de morte e as agressões praticadas no condomínio. A classificação do caso como tentativa de feminicídio indica a gravidade da linha investigativa adotada pelas autoridades.

A prisão preventiva mantém o investigado recolhido enquanto o processo segue seus trâmites judiciais. Ele também poderá responder por ameaça, violação de domicílio, lesão corporal e resistência.

Até a publicação das informações mais recentes, a defesa do suspeito não havia sido localizada pela Agência Estado. Não há, portanto, manifestação defensiva apresentada nas reportagens consultadas.

Violência contra a mulher: denúncias podem evitar novas agressões

O caso reforça a importância de denunciar situações de violência doméstica, ameaças e agressões, inclusive quando os episódios acontecem fora de relacionamentos afetivos.

No Brasil, o Ligue 180 funciona gratuitamente, durante 24 horas, para acolher denúncias de violência contra mulheres, orientar vítimas e informar sobre os serviços de atendimento disponíveis. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.