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Amazonas

Delegado Pablo questiona versão de Omar Aziz sobre Maus Caminhos e aponta mudança de competência judicial

Candidato a deputado federal pelo PL afirma que alterações na tramitação do caso tiveram impacto nos processos e diz que investigação sobre desvios na saúde não pode ser resumida ao desfecho judicial


 

O candidato a deputado federal Delegado Pablo (PL) voltou a abordar a Operação Maus Caminhos e fez críticas ao senador Omar Aziz (PSD), candidato ao Governo do Amazonas. Durante entrevista ao programa AM POST Entrevista, nesta segunda-feira (28), Pablo contestou a forma como o adversário político costuma apresentar o desfecho das investigações que envolveram seu nome.

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Ex-delegado da Polícia Federal, Pablo afirmou que participou das investigações relacionadas à operação e disse estar disposto a detalhar os procedimentos adotados durante a apuração.

A Operação Maus Caminhos foi deflagrada em 2016 para investigar um esquema de desvios e fraudes envolvendo recursos públicos destinados à saúde do Amazonas. Segundo o Ministério Público Federal, as investigações identificaram contratos considerados fraudulentos ou superfaturados e estimaram desvios superiores a R$ 100 milhões.

Pablo contesta interpretação sobre o desfecho da investigação

Durante a entrevista, Pablo criticou a afirmação de que o encerramento de investigações representaria uma espécie de comprovação de inexistência dos fatos investigados.

Segundo o candidato, parte da discussão precisa considerar as mudanças ocorridas na tramitação dos procedimentos judiciais e a definição da competência para analisar determinados fatos.

“Quero falar sobre tudo que aconteceu, falo sobre como essa investigação transcorreu e o fato de ter havido um detalhe técnico, como aconteceu com o presidente Lula”, afirmou Pablo.

Na sequência, o candidato apresentou sua interpretação sobre a transferência de competência e afirmou que a mudança teria contribuído para o encerramento de processos relacionados ao caso.

“Ela saiu da Justiça Federal para ir para a Justiça Estadual e quando chegou na Justiça Estadual, houve uma discussão a respeito do que tinha acontecido com a operação ou não”, declarou.

A documentação oficial do MPF confirma que houve mudanças de competência em diferentes etapas das investigações. Em um dos procedimentos relacionados ao núcleo político, o inquérito inicialmente instaurado no Supremo Tribunal Federal foi posteriormente encaminhado à Justiça Federal do Amazonas após mudanças decorrentes da jurisprudência sobre foro por prerrogativa de função.

Maus Caminhos teve diferentes fases e desdobramentos

A investigação não se limitou à primeira operação deflagrada em 2016. O caso teve novas fases ao longo dos anos, incluindo as operações Cashback, Vértex e Eminência Parda.

Em 2018, por exemplo, a Operação Cashback teve entre seus alvos Murad Aziz, irmão de Omar Aziz, além de empresários e outros envolvidos. Já em julho de 2019, a Operação Vértex teve como alvos pessoas físicas e jurídicas ligadas a um ex-governador do Amazonas que, à época, era senador.

O MPF informa que, ao longo das três primeiras fases, foram apresentadas 48 ações penais e 40 ações de improbidade administrativa relacionadas aos fatos investigados.

Críticas se estendem a obras do governo Omar Aziz

Durante a entrevista, Pablo também fez críticas à gestão de Omar Aziz quando ele comandou o Governo do Amazonas.

O candidato citou investigações relacionadas à construção da Ponte Jornalista Phelippe Daou, conhecida como Ponte Rio Negro, e mencionou referências a investigações envolvendo a Odebrecht.

Pablo também questionou o custo da obra e afirmou que Omar deveria prestar esclarecimentos sobre o assunto.

O tema, contudo, envolve diferentes investigações. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal determinou o arquivamento de um inquérito que investigava Eduardo Braga e Omar Aziz em relação a supostos pagamentos indevidos ligados à construção da Ponte Rio Negro. Segundo o STF, após 15 meses de investigação não haviam sido encontrados indícios suficientes de fato típico praticado pelos investigados naquele inquérito.

Cidade Universitária volta ao debate eleitoral

Outro ponto levantado por Pablo foi a Cidade Universitária, projeto iniciado durante o governo de Omar Aziz e posteriormente paralisado.

O candidato classificou o empreendimento como símbolo de desperdício de recursos públicos e atribuiu ao ex-governador responsabilidade pelos valores empregados no projeto.

“É quase que uma ferida aberta no estado do Amazonas”, afirmou Pablo, ao criticar a situação atual da estrutura.

O episódio volta a ganhar espaço no debate eleitoral de 2026, em meio à disputa pelo Governo do Amazonas e à troca de acusações entre grupos políticos adversários.

Disputa eleitoral amplia embate sobre passado político

As declarações de Delegado Pablo ocorrem em um cenário de forte disputa política no Amazonas. A Operação Maus Caminhos, que começou como uma investigação sobre contratos e desvios na área da saúde, continua sendo utilizada como referência no debate eleitoral sobre as administrações que passaram pelo Governo do Estado.

O MPF mantém uma página especial com o histórico da operação e seus diversos desdobramentos judiciais. A instituição destaca que as investigações envolveram empresários, agentes públicos e diferentes contratos relacionados à gestão de recursos da saúde.

As declarações feitas por Pablo durante a entrevista representam a versão apresentada pelo candidato no contexto da disputa eleitoral. Eventuais responsabilidades criminais devem ser atribuídas somente quando reconhecidas por decisão judicial definitiva.

 

Imagem de capa gerada por Inteligência Artificial