
Givancir Oliveira (presidente do sindicato dos Rodoviários) – Foto: Gabriel Vieira
Manaus – O transporte coletivo de Manaus pode enfrentar uma nova paralisação a partir desta quinta-feira (20). O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus e Região Metropolitana (STTRM) anunciou que 70% da frota poderá deixar de circular a partir das 11h caso os salários dos trabalhadores não sejam depositados dentro do prazo informado à categoria.
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O anúncio foi feito nesta quarta-feira (19) pelo presidente do sindicato, Givancir Oliveira, durante coletiva de imprensa. Segundo o dirigente, as empresas de transporte coletivo teriam informado que não conseguiriam realizar o pagamento dos salários nesta quarta-feira, embora o depósito estivesse previsto para a data.
De acordo com Oliveira, a eventual paralisação deverá atingir motoristas, cobradores, mecânicos, lavadores e trabalhadores dos setores administrativo e de manutenção. O movimento, segundo o sindicato, não terá prazo previamente definido para terminar e os trabalhadores somente retomariam as atividades após a confirmação de que os valores foram depositados nas contas.
“Se botou o dinheiro na conta, hoje não tem greve”, afirmou Givancir.
Histórico recente de paralisações
A ameaça desta quarta-feira ocorre poucas semanas depois de uma sequência de impasses envolvendo salários e benefícios dos rodoviários.
Em 20 de julho, a categoria iniciou uma greve que chegou a paralisar integralmente o transporte coletivo de Manaus. O movimento foi posteriormente limitado por decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determinou a manutenção de 80% da frota nos horários de pico, entre 6h e 9h e das 17h às 20h, e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento.
A paralisação de julho terminou após a liberação de recursos para o pagamento dos trabalhadores. Segundo informações divulgadas à época, o Governo do Amazonas repassou R$ 18 milhões às empresas em 21 de julho, permitindo a retomada da circulação dos ônibus.
Dias depois, o sindicato voltou a alertar que poderia haver uma nova greve caso os pagamentos não fossem regularizados.
Greve prevista para agosto também foi suspensa
No início de agosto, a categoria anunciou outra paralisação, desta vez com previsão de retirada de 70% da frota das ruas. Cerca de 7 mil trabalhadores estariam envolvidos na mobilização, segundo declarações do sindicato reproduzidas por veículos locais. Além dos salários, os rodoviários cobravam o pagamento da cesta básica, estimada em R$ 1,3 mil.
A paralisação prevista para 6 de agosto acabou suspensa depois que a Prefeitura de Manaus anunciou um repasse de R$ 32 milhões para o sistema de transporte coletivo. Segundo o sindicato, os recursos seriam utilizados para garantir o pagamento dos salários, do vale-alimentação e de outras obrigações trabalhistas.
Após a regularização, os ônibus circularam normalmente e Givancir Oliveira afirmou que a categoria continuaria acompanhando os pagamentos e poderia voltar a mobilizar os trabalhadores diante de novos atrasos.
Sindicato também cobra mudanças no Distrito Industrial
Além da questão salarial, a coletiva desta quarta-feira tratou das condições de trabalho dos motoristas que atuam no transporte de funcionários do Distrito Industrial de Manaus.
Segundo Givancir, a categoria reivindica a redução da jornada de trabalho e um auxílio-alimentação de pelo menos R$ 25. O dirigente também denunciou a existência de jornadas consideradas excessivas, afirmando que alguns trabalhadores chegam a cumprir três turnos.
O sindicato sustenta que a extensão das jornadas compromete o período de descanso dos motoristas e cobra melhorias nos locais destinados à alimentação e ao repouso durante o expediente.
Justiça já foi acionada
O sindicato afirma que já recorreu à Justiça em outras ocasiões para cobrar o cumprimento dos prazos de pagamento e que decisões judiciais e multas aplicadas às empresas não teriam sido suficientes para impedir novos atrasos.
O histórico recente mostra que o conflito envolve não apenas os trabalhadores e as empresas operadoras, mas também o poder público. Em julho, o TRT-11 chegou a classificar a paralisação como abusiva e determinou níveis mínimos de operação para preservar o serviço de transporte coletivo.
O que pode acontecer nesta quinta-feira
Caso os salários não sejam depositados, o sindicato afirma que 70% da frota poderá ser retirada de circulação a partir das 11h desta quinta-feira (20). Isso significa que, pela proposta apresentada pela entidade, aproximadamente 30% dos ônibus permaneceriam em operação.
Até o momento, a informação disponível é de que a paralisação está condicionada ao pagamento dos trabalhadores. Portanto, se os valores forem efetivamente depositados antes do início do movimento, a greve poderá ser evitada, conforme declaração do presidente do sindicato.
A situação deve ser acompanhada ao longo desta quarta-feira, especialmente diante do histórico de acordos e repasses que evitaram paralisações anteriores.
