Justiça

Fraudes no INSS

Ex-chefe de gabinete de Lula confirma empréstimo com empresária investigada pela PF e nega irregularidades

Ex-assessor da Presidência afirma que operação financeira foi pessoal e já quitada; empresária é investigada por supostos vínculos com investigados no esquema de fraudes contra aposentados do INSS.


A empresária Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal em esquema de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)- Foto: Reprodução/Redes sociais

 

 

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O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido nos bastidores políticos como “Marcola”, confirmou que realizou um empréstimo pessoal com a empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao esquema de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo ele, a operação financeira foi privada, já foi quitada e não possui qualquer relação com suas atividades no governo.

Em nota divulgada após a divulgação do caso, o ex-assessor afirmou que recebeu com surpresa as informações divulgadas pela imprensa e negou qualquer prática irregular durante o período em que exerceu a chefia de gabinete da Presidência da República.

Marco Aurélio deixou recentemente o cargo no Palácio do Planalto para integrar a equipe da campanha eleitoral do presidente Lula. A revelação sobre o empréstimo ocorreu após reportagem publicada pelo portal Poder360, que informou haver pagamentos realizados pela empresária ao então auxiliar presidencial. O valor da operação financeira não foi divulgado.

A defesa de Roberta Luchsinger informou que desconhece detalhes da negociação envolvendo o ex-chefe de gabinete.

Empresária é investigada em apuração sobre fraudes no INSS

Roberta Luchsinger tornou-se alvo da Polícia Federal durante as investigações sobre um suposto esquema de descontos irregulares em benefícios previdenciários entre os anos de 2019 e 2024.

As investigações apontam que entidades teriam realizado cobranças indevidas diretamente nas aposentadorias e pensões de milhões de beneficiários do INSS. O prejuízo potencial é estimado em bilhões de reais, tornando o caso uma das maiores apurações recentes envolvendo fraudes na Previdência Social.

A empresária também é apontada pela PF como pessoa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, identificado pelos investigadores como um dos operadores centrais do esquema.

Durante as diligências, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras entre empresas ligadas aos investigados e uma companhia administrada por Roberta Luchsinger. A investigação busca esclarecer a origem dos recursos e eventual utilização de estruturas empresariais para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Relação com Lulinha também é investigada

Outro ponto apurado pela Polícia Federal envolve a relação de amizade entre Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República.

Segundo depoimentos prestados à investigação, a empresária apresentou Lulinha ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes antes da deflagração da Operação Sem Desconto.

Até o momento, Lulinha nega qualquer participação em irregularidades e afirma que não praticou tráfico de influência nem atuou para beneficiar empresas junto ao governo federal.

Novas frentes de investigação

A Polícia Federal conduz diferentes inquéritos relacionados ao filho do presidente. Entre eles estão investigações sobre suposta atuação junto a órgãos públicos, como o Ministério da Saúde e a Dataprev, além de um pedido para abertura de nova apuração envolvendo suspeitas de tráfico de influência.

Os procedimentos ainda estão em fase de investigação e não há decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.

Caso repercute no cenário político

A divulgação do empréstimo provocou repercussão entre aliados e adversários do governo. Parlamentares da oposição cobraram esclarecimentos públicos sobre a relação financeira entre o ex-assessor presidencial e a empresária investigada.

Por outro lado, integrantes do governo ressaltam que a operação foi descrita pelo próprio ex-chefe de gabinete como um empréstimo privado, já encerrado, e afirmam que, até o momento, não há acusação formal que relacione a negociação ao exercício de função pública.

As investigações da Polícia Federal prosseguem e novas diligências poderão definir se as relações financeiras identificadas possuem relevância para os inquéritos em andamento.