
A 3Structure It LTDA, empresa para a qual o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teria feito lobby para prospectar negócios junto à administração pública, segundo a Polícia Federal (PF), fechou seis contratos com o governo federal que somam R$ 55,7 milhões – Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo contratos na área de tecnologia da informação. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após representação da PF.
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No centro da apuração está a empresa 3Structure IT Ltda., especializada em soluções de tecnologia e proteção de dados. Segundo informações obtidas por veículos de imprensa com base em dados do Portal da Transparência, a empresa mantém quatro contratos em vigor com órgãos do governo federal que, somados, alcançam R$ 55.721.051,62.
De acordo com a investigação, os policiais buscam esclarecer se Lulinha teria utilizado sua influência política para favorecer interesses da empresa em órgãos da administração pública. Até o momento, a investigação encontra-se em fase inicial e não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público nem condenação judicial.
Contratos sob análise
Entre os contratos vigentes está um acordo firmado com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, no valor de aproximadamente R$ 19,2 milhões, destinado à implantação de uma nova solução de backup de dados, incluindo equipamentos, softwares, instalação, migração de informações e suporte técnico. O contrato possui vigência até 2031.
Outro contrato com o mesmo ministério, assinado em 2023, prevê investimento de R$ 14,4 milhões para manutenção e sustentação do ambiente analítico de dados da pasta.
A empresa também mantém contrato de R$ 21,8 milhões com o Exército Brasileiro para expansão da infraestrutura de armazenamento de dados do Sistema de Telemática do Exército (SisTEx), além de um contrato de menor valor com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), vinculado ao Ministério da Educação.
Dados públicos consultados indicam ainda que a empresa recebeu cerca de R$ 46,9 milhões em pagamentos efetuados pelo governo federal desde 2023. Esse montante corresponde a despesas liquidadas, empenhos e pagamentos realizados e não representa, necessariamente, o valor total dos contratos atualmente vigentes.
Quebras de sigilo poderão ser solicitadas
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal deverá solicitar ao Supremo Tribunal Federal medidas investigativas, entre elas eventuais quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, caso considere necessárias para aprofundar a apuração.
Os investigadores pretendem verificar se houve qualquer atuação de Lulinha junto a órgãos públicos para beneficiar empresas do setor de tecnologia, especialmente em contratos ligados à Dataprev e a outros órgãos da administração federal.
Até o momento, não foram divulgados elementos públicos que comprovem a prática de crime por parte do investigado. O procedimento segue em fase de coleta de provas.
Defesa de Lulinha
O advogado Marco Aurélio Carvalho, responsável pela defesa de Fábio Luís Lula da Silva, classificou a investigação como uma “fishing expedition” — expressão utilizada no meio jurídico para descrever investigações consideradas excessivamente amplas ou sem indícios concretos suficientes.
Segundo a defesa, o inquérito teria motivação política e eleitoral.
“Não há fato objetivo que justifique a instauração deste inquérito. Trata-se de uma tentativa de interferência no processo político por meio de uma investigação sem fundamento”, afirmou o advogado.
Empresa nega qualquer favorecimento
Em nota, a 3Structure IT Ltda. afirmou que todos os contratos celebrados com órgãos públicos ocorreram mediante processos licitatórios regulares e em conformidade com a legislação.
A empresa destacou que atua no mercado de proteção de dados, representa fabricantes internacionais do setor e possui certificações técnicas reconhecidas. Também informou que seus contratos já passaram por auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo a defesa do CEO da empresa, Cleber Ribas, “não houve qualquer espécie de intermediação por terceiros” nas contratações realizadas com o governo federal.
Investigação segue em andamento
O inquérito permanece sob sigilo parcial e ainda está na fase inicial de apuração. Caberá à Polícia Federal reunir elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas. Ao término das investigações, o material será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se há fundamentos para oferecer denúncia ou solicitar o arquivamento do caso.
Até o momento, nem Lulinha nem os representantes da empresa foram denunciados ou condenados, e ambos negam qualquer irregularidade.
