Política

Eleições 2026

Lula questiona Tribunal Eleitoral e fala em “falcatrua” a poucas semanas da eleição

Presidente e candidato à reeleição também criticou uma possível interferência dos Estados Unidos e disse que brasileiros vão derrotar qualquer tentativa de ingerência no processo eleitoral.


Lula acumula gafes na campanha de 2026 e preocupa aliados – Foto: André Borges – EPA/EFE

A poucas semanas das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou repercussão ao fazer críticas simultâneas a uma possível interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro e ao mencionar a possibilidade de uma “falcatrua” por parte do Tribunal Eleitoral.

A declaração ocorreu na quarta-feira (9), durante um comício em Teresina, no Piauí, em meio à campanha pela reeleição. Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferência estrangeira no pleito e disse que os brasileiros têm condições de defender a soberania nacional.

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“Que não venham os americanos querer influir nas nossas eleições. Que não venha o Tribunal Eleitoral querer falcatrua, porque a gente sabe o que eles são capazes”, declarou o presidente.

Embora tenha utilizado a expressão “Tribunal Eleitoral”, Lula não especificou nominalmente se estava se referindo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também não apresentou, durante o discurso, qualquer prova ou apontou uma decisão ou procedimento concreto que pudesse caracterizar uma tentativa de fraude por parte da Justiça Eleitoral.

Lula mira Trump e fala em soberania

Na sequência do discurso, Lula direcionou as críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de tensão diplomática entre Brasília e Washington.

O presidente brasileiro afirmou que qualquer tentativa de interferência estrangeira seria enfrentada pelos brasileiros.

“E se eles vierem se meter aqui, a gente ainda vai derrotá-los, vai derrotar os americanos e vai derrotar quem se meter”, afirmou.

Lula também mandou um recado direto a Trump: “O Trump que se meta no país dele. Aqui é um problema nosso, de brasileiro, e ninguém tasca”.

O petista ainda afirmou que o Brasil, apesar de ser um país mais pobre economicamente, possui “caráter e dignidade” para defender sua soberania.

“Nós somos pobres, mas somos orgulhosos”, declarou Lula, acrescentando que caráter e dignidade não são comprados em shopping ou aeroporto.

Declaração chama atenção por ocorrer durante a própria campanha

A fala ganhou peso político por ocorrer durante a campanha de Lula à reeleição e a cerca de 20 dias do primeiro turno.

A menção a uma possível “falcatrua” no Tribunal Eleitoral também chamou atenção porque a Justiça Eleitoral é responsável pela organização e fiscalização do processo eleitoral brasileiro.

A coluna que originou o texto destaca que a declaração repercutiu dentro do TSE e observa que organizações internacionais devem acompanhar a totalização dos votos em Brasília. Entre as instituições citadas estão a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlasul e a União Europeia.

Lula também critica uso de bandeiras dos Estados Unidos

Durante o mesmo ato, o presidente criticou opositores que aparecem em manifestações políticas carregando bandeiras norte-americanas.

Lula classificou esse comportamento como “vira-latismo” e chegou a chamar de “traidores da pátria” aqueles que, segundo ele, utilizam símbolos dos Estados Unidos em manifestações políticas no Brasil.

O discurso ocorre em um cenário de forte disputa política e de crescente debate sobre soberania, relações entre Brasil e Estados Unidos e os rumos do processo eleitoral de 2026.

Eleição entra na reta decisiva

A declaração de Lula acontece em um momento no qual o presidente intensifica a agenda de campanha e passa a explorar temas de forte apelo eleitoral, enquanto evita, segundo análise publicada pela Coluna Esplanada, assuntos considerados mais delicados para o governo.

Entre os temas destacados estão a taxação das chamadas “blusinhas” e o fim da escala 6×1. A mesma análise cita ainda a dragagem do Rio Tapajós como um assunto que permanece fora da agenda eleitoral do presidente.

A fala sobre o Tribunal Eleitoral, entretanto, coloca a própria Justiça Eleitoral no centro do debate político justamente na reta final da disputa presidencial.

Até o momento, a declaração de Lula sobre uma possível “falcatrua” não veio acompanhada de uma acusação específica, nome de autoridade, decisão judicial ou evidência apresentada publicamente que sustente a existência de uma fraude no processo eleitoral. Será que Lula vai ser punido por questionar as urnas eletrônicas?