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Teatros Amazonas e da Paz entram para a lista de Patrimônios Mundiais da Unesco e projetam a cultura amazônica para o mundo

Reconhecimento internacional consagra os dois monumentos históricos como um conjunto cultural único, reforça a importância da Amazônia além da biodiversidade e deve impulsionar o turismo, a economia e a preservação do patrimônio histórico.


O Brasil ampliou sua presença na lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nesta segunda-feira (27), durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, os teatros Amazonas, em Manaus, e da Paz, em Belém, foram oficialmente reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial sob a inscrição conjunta “Teatros da Amazônia”.

A decisão representa uma conquista histórica para a cultura brasileira e consolida dois dos maiores símbolos arquitetônicos da região amazônica como referências do patrimônio mundial. Pela primeira vez, os edifícios passam a integrar a seleta lista da Unesco como um único bem seriado, modalidade que reúne diferentes construções ligadas por um mesmo contexto histórico e cultural.

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O reconhecimento também encerra uma disputa técnica durante o processo de avaliação. Inicialmente, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), órgão consultivo da Unesco, havia recomendado que apenas o Teatro Amazonas recebesse o título. No entanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) defendeu a candidatura conjunta, argumentando que os dois monumentos são inseparáveis por compartilharem a mesma origem histórica, econômica e arquitetônica.

Teatro Amazonas – Foto: Reprodução

Símbolos do auge do ciclo da borracha

Os dois teatros foram erguidos durante o período áureo da economia da borracha, entre o fim do século XIX e o início do século XX, quando Manaus e Belém figuravam entre as cidades mais prósperas do país.

O Theatro da Paz, inaugurado em 1878, foi construído para receber grandes espetáculos líricos e companhias europeias que chegavam ao Pará durante o auge da riqueza regional.

Já o Teatro Amazonas, inaugurado em 31 de dezembro de 1896, tornou-se um dos maiores cartões-postais brasileiros. O edifício chama atenção pela cúpula revestida com cerca de 36 mil escamas cerâmicas esmaltadas nas cores da bandeira nacional, pelo salão nobre inspirado na arquitetura francesa e pelos materiais importados da Europa, como mármore italiano, cristais de Murano e ferro inglês.

Ambos são protegidos pelo Iphan desde a década de 1960 — o Teatro da Paz foi tombado em 1963 e o Teatro Amazonas em 1966.

Amazônia também é patrimônio cultural

 

Teatro da Paz – Belém (PA) – Foto: Reprodução

Para o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, o reconhecimento internacional amplia a visão da Amazônia perante o mundo.

Segundo ele, além de sua importância ambiental, a região também é um território marcado pela produção artística, pela memória histórica e pela diversidade cultural. A inscrição dos teatros evidencia justamente esse patrimônio humano, muitas vezes ofuscado pela imagem da floresta.

Especialistas avaliam que a chancela da Unesco fortalece políticas públicas de preservação, amplia oportunidades de cooperação internacional e contribui para valorizar a identidade cultural amazônica.

Turismo e economia devem ser beneficiados

O novo título também deve gerar impactos positivos para o turismo cultural na região Norte.

Experiências semelhantes em outros patrimônios mundiais mostram que o reconhecimento costuma aumentar significativamente o fluxo de visitantes nacionais e estrangeiros, fortalecendo setores como hotelaria, gastronomia, comércio e economia criativa.

Ao mesmo tempo, a certificação exige dos gestores públicos um plano permanente de conservação e manejo, garantindo que o crescimento do turismo ocorra de forma sustentável e sem comprometer a integridade dos monumentos.

A elaboração desse plano passa a ser uma das principais responsabilidades do Brasil perante a Unesco.

Brasil amplia presença na lista mundial

Com a inclusão dos Teatros da Amazônia, o Brasil passa a contabilizar 26 Patrimônios Mundiais reconhecidos pela Unesco, distribuídos entre bens culturais, naturais e mistos.

Entre eles estão o Centro Histórico de Ouro Preto (MG), Brasília, o Parque Nacional do Iguaçu, o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, o Centro Histórico de Salvador, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, e o sítio misto de Paraty e Ilha Grande.

A Amazônia já possuía reconhecimento internacional por sua importância ambiental desde 2000, quando o Complexo de Conservação da Amazônia Central foi inscrito como Patrimônio Natural Mundial. Agora, a região também conquista um dos mais importantes selos de valorização de sua história e produção cultural.

Patrimônio que representa toda a Amazônia

Embora localizados em estados diferentes, os teatros foram considerados pela Unesco como um patrimônio único devido à sua complementaridade histórica.

As duas construções refletem um mesmo período de prosperidade econômica, urbanização e intensa circulação de artistas, companhias de ópera e influências culturais europeias na Amazônia durante o ciclo da borracha.

A decisão reforça a importância de preservar não apenas os edifícios, mas também a memória, as manifestações artísticas e a identidade cultural da região, projetando a Amazônia como um dos principais polos de patrimônio histórico do planeta.