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Lulinha e Careca do INSS tiveram viagens coincidentes a Lisboa e Madri, aponta PF

Documentos da Polícia Federal revelam que empresário e lobista compartilharam voos de primeira classe e tiveram vínculos com intermediária em negócios de cannabis.


O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva – Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) identificou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, viajaram juntos para Lisboa e Madri pelo menos três vezes em 2024, seguindo padrões de datas e horários muito próximos. As viagens ocorreram durante o período da investigação conhecida como “Farra do INSS”, em que os dois compartilharam trechos em primeira classe e períodos coincidentes de estadia.

As viagens ocorreram nas seguintes datas:

  • Lisboa: 13 a 18 de junho de 2024 (Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger) / 17 a 21 de junho (Careca do INSS)

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  • Madri: 13 a 22 de setembro (Lulinha) / 12 a 20 de setembro (Careca do INSS)

  • Lisboa: 8 a 17 de novembro (Lulinha) / 8 a 14 de novembro (Careca do INSS)

Roberta Luchsinger, intermediária dos dois, acompanhou Lulinha em duas dessas viagens. A PF constatou que uma agência de viagens, ligada a pagamentos de mais de R$ 640 mil feitos por Roberta, aparece associada aos trechos internacionais do filho do presidente da República. Um ex-funcionário do lobista afirmou que Antonio Antunes custeava despesas tanto de Lulinha quanto de Roberta, enquanto os três planejavam negócios na área de cannabis medicinal.

Em um dos voos, a aquisição das passagens de Lulinha e do lobista ocorreu com apenas quatro minutos de diferença, reforçando a proximidade entre eles, segundo o relatório da PF. As viagens de Antonio Carlos para Portugal estariam relacionadas ao mercado de maconha medicinal, setor no qual ele buscava atuar.

A investigação, denominada Operação Sem Desconto, apura fraude em descontos indevidos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF identificou transferências de R$ 1,5 milhão de Antonio Carlos para Roberta, possivelmente destinadas a Lulinha. A defesa do empresário afirma que ele não está envolvido na fraude e nunca recebeu valores do lobista.

Além disso, mensagens obtidas pela PF indicam que o Careca do INSS enviou um medicamento para o apartamento de Lulinha em São Paulo, endereçado à esposa do empresário, Renata Moreira, reforçando suspeitas de relação próxima entre os investigados.

Defesa e posição dos envolvidos

A defesa de Lulinha, formalizada no início de 2026, nega envolvimento dele em fraudes ou recebimento de valores do lobista, e afirma que ele não é “sócio oculto” de Antunes. O advogado do empresário também solicitou acesso ao inquérito da PF no Supremo Tribunal Federal para acompanhar as apurações.

Procurado pela reportagem, o empresário não se manifestou diretamente sobre as viagens destacadas pela PF. Autoridades da PF mantêm o sigilo de partes da investigação, e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, já afirmou que o país deve investigar com seriedade todos os envolvidos nas fraudes no INSS, sem impunidade.