
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF — Foto: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo e Rosinei Coutinho/STF
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, indicam uma tentativa de contato direto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, horas antes da prisão do empresário.
As informações surgiram a partir de material apreendido pela Polícia Federal no celular do banqueiro e revelado por apuração jornalística.
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De acordo com os investigadores, uma das mensagens teria sido enviada às 7h19 do dia 17 de novembro — mesma data em que Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, enquanto tentava embarcar para Dubai.
No conteúdo, o empresário teria escrito:
“Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Segundo a investigação, o ministro respondeu em seguida. Entretanto, a mensagem não pôde ser recuperada, pois teria sido enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp, funcionalidade que apaga automaticamente o conteúdo após a leitura.
Além desse episódio, a Polícia Federal identificou registros de outro contato entre o banqueiro e o ministro em 1º de outubro de 2025, também por mensagens que desapareceram após a visualização. Há ainda registros de chamadas telefônicas entre ambos.
O Supremo Tribunal Federal afirmou, em nota, que Alexandre de Moraes não recebeu as mensagens, classificando a informação como “uma ilação mentirosa” destinada a atacar a Corte.
A defesa de Vorcaro foi procurada, mas não comentou o caso.
As investigações também revelaram diálogos do banqueiro com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, nos quais o nome do ministro e o da advogada Viviane Barsi de Moraes aparecem citados.
Julgamento no STF
O caso voltará ao centro das atenções na próxima semana. A Segunda Turma do STF deve julgar, na sexta-feira (13), a manutenção da prisão de Vorcaro e do empresário Fabiano Zettel.
Nos bastidores do tribunal, o caso também envolve discussões sobre possíveis impedimentos. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do processo após apontamentos sobre proximidade com pessoas ligadas ao caso, mas continua como integrante da turma que analisará o julgamento.
Segundo fontes do tribunal, alguns ministros avaliam que o cenário gera constrangimento institucional e defendem maior cautela para evitar questionamentos sobre a condução do processo.
Análise de especialista
Para o professor de Direito Constitucional Lenio Streck, situações como essa exigem transparência absoluta para preservar a confiança nas instituições.
“Não basta que as autoridades digam que não houve irregularidade. Em casos envolvendo autoridades de alto escalão e investigados, é fundamental que todos os fatos sejam esclarecidos de forma transparente. A credibilidade do Judiciário depende não apenas da legalidade dos atos, mas também da percepção pública de imparcialidade.”
Segundo o jurista, a simples existência de mensagens ou tentativas de contato não significa, por si só, interferência no processo.
“É preciso separar indícios de provas. A investigação deve seguir com rigor técnico, sem pré-julgamentos, mas também sem blindagens institucionais. A justiça só se fortalece quando tudo é investigado com equilíbrio.”
