O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em decisão publicada nessa quarta-feira (4/3), que o esquema atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro contava com apoio de servidores “dos mais altos escalões da República”. O magistrado, no entanto, não mencionou nomes.
Na decisão, Mendonça descreve a atuação de uma suposta organização criminosa que teria como objetivo influenciar a opinião pública contra agentes do Estado envolvidos na investigação do caso. Segundo o ministro, o grupo buscava criar um ambiente de enfraquecimento institucional para garantir a continuidade das práticas ilícitas.
Continua depois da Publicidade
O texto também menciona o uso de violência física, coação e ações típicas de milícia como instrumentos para silenciar opositores e proteger o esquema.
Nova prisão
Vorcaro foi preso novamente por determinação do STF, sob acusação de ter planejado ações para intimidar jornalistas e funcionários considerados adversários. A investigação aponta ainda suspeitas de espionagem contra opositores e tentativa de cooptação de dois diretores do Banco Central.
As apurações são conduzidas pela Polícia Federal e envolvem supostas fraudes relacionadas ao banco Master, comandado por Vorcaro. O banqueiro é acusado de vender carteiras sem valor ao Banco de Brasília (BRB), o que teria causado prejuízos bilionários.
Expectativa de delação
Com a nova prisão, cresce a expectativa de que Vorcaro possa negociar um acordo de delação premiada, estratégia que poderia ser adotada pela defesa na tentativa de reduzir eventual pena.
Convocação no Senado
A prisão ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro deveria prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. A convocação foi feita após requerimento apresentado pelo presidente da comissão, Alessandro Vieira.
A CPI investiga o suposto esquema envolvendo o banco Master e a atuação do grupo apontado pela Polícia Federal como responsável pelas irregularidades.
