Política

Brasília

Ex-ministro Raul Jungmann morre aos 73 anos em Brasília

Pernambucano enfrentava câncer de pâncreas e teve trajetória marcada por décadas de atuação na política nacional.


Raul Jungmann, atualmente, exercia cargo de gestão no Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) – Foto: Kayo Magalhães 

O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann morreu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília. A informação foi confirmada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade da qual Jungmann era diretor-presidente. Ele enfrentava um câncer de pâncreas e estava internado no hospital DF Star.

Natural de Pernambuco, Raul Jungmann teve uma carreira política que se estendeu por mais de cinco décadas. Ao longo da vida pública, exerceu mandatos como vereador e deputado federal, além de ocupar quatro ministérios nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer: Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública.

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Desde 2022, Jungmann presidia o Ibram, onde atuava na defesa de uma mineração alinhada a práticas sustentáveis e ao diálogo institucional. Em nota, a presidente do Conselho Diretor do instituto, Ana Sanches, destacou que ele foi um “homem público de estatura singular, defensor da democracia e comprometido com o interesse público”.

Segundo o comunicado, Jungmann liderou a entidade em um período considerado decisivo, contribuindo para o fortalecimento do setor mineral com visão estratégica, integridade e capacidade de articulação.

Atendendo a um desejo manifestado pelo próprio ex-ministro, o velório será realizado em cerimônia reservada, restrita a familiares e amigos próximos.

Quem era Raul Jungmann

O ex-ministro Raul Jungmann – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Raul Belens Jungmann Pinto nasceu em 3 de abril de 1952, em Recife (PE), e teve uma trajetória longa e multifacetada na política e na gestão pública brasileira.

Jungmann iniciou sua atuação política ainda jovem, militando no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) durante a época em que a legenda estava na clandestinidade, no contexto da ditadura militar. Mais tarde, participou do movimento Diretas Já e passou por várias siglas ao longo da vida pública, incluindo MDB, PPS (hoje Cidadania) e PMDB.

Sua entrada em cargos executivos começou no âmbito estadual, quando foi secretário de Planejamento de Pernambuco entre 1990 e 1991. Nos governos federais, Jungmann acumulou vários cargos de destaque: presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e foi secretário-executivo no Ministério do Planejamento.

No governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jungmann foi nomeado ministro de Estado da Política Fundiária e, em seguida, do Desenvolvimento Agrário, atuando diretamente em políticas de reforma agrária e gestão de conflitos no campo.

Ele também teve destacada atuação no Poder Legislativo, sendo eleito deputado federal por Pernambuco em três mandatos (2003–2006, 2007–2010 e 2015–2018). Nessa condição, presidiu comissões importantes, como a de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados.

Em períodos de profundo diálogo com os temas de defesa e segurança, Jungmann foi escolhido pelo então presidente Michel Temer (MDB) para comandar dois ministérios estratégicos: foi Ministro da Defesa de maio de 2016 a fevereiro de 2018 — tornando-se um dos poucos civis a ocupar a pasta — e, logo após, foi nomeado o primeiro titular do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, criado para coordenar ações federais de enfrentamento ao crime organizado entre fevereiro de 2018 e o fim do governo Temer.

Após deixar o serviço público formal, Jungmann continuou atuando em setores estratégicos. Em março de 2022, foi nomeado diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), onde defendia uma mineração sustentável e pautada por práticas ESG (ambiental, social e de governança).

Reconhecido por sua capacidade de articulação e pela defesa da democracia, Jungmann se tornou referência em temas que vão desde reforma agrária e meio ambiente até segurança pública e defesa nacional, construindo uma carreira marcada pela diversidade de funções e pela longevidade no serviço público.

Raul Jungmann faleceu em 18 de janeiro de 2026, aos 73 anos, em Brasília, após uma longa luta contra um câncer de pâncreas.