A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que irá aprofundar a apuração sobre menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da investigação que apura um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. O objetivo é verificar se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como lobista de entidades envolvidas nas fraudes.

Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo/AE
A informação consta em relatório encaminhado pela PF ao STF, com trechos divulgados nesta quarta-feira (7). De acordo com investigadores, o nome de Lulinha aparece em materiais reunidos durante a Operação Sem Desconto, embora, até o momento, não existam evidências de participação direta dele nos crimes investigados. O filho do presidente também não figura formalmente como investigado no inquérito.
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Segundo fontes ligadas à apuração, a suspeita de ligação indireta envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga pessoal de Lulinha. Ela teria firmado um contrato de consultoria com Antônio Camilo para prospectar negócios junto ao governo federal, recebendo cerca de R$ 1,5 milhão pela intermediação.
Na representação enviada ao ministro André Mendonça, a Polícia Federal afirma que “vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto” entre o empresário investigado e um terceiro que poderia atuar como sócio oculto, citando Fábio Luís Lula da Silva. O documento, no entanto, ressalta que as menções surgem a partir de conversas entre terceiros e ainda precisam ser rigorosamente verificadas.
“A autoridade policial destaca que, até o presente momento, não há indícios de que Fábio Lula esteja diretamente envolvido nas condutas relacionadas aos descontos associativos fraudulentos”, afirma o relatório, acrescentando que, no meio político, é comum que pessoas aleguem proximidade ou influência para obter vantagens, o que exige cautela na análise das informações.
Entre os elementos citados pela PF está o depoimento de Edson Claro, ex-sócio do Careca do INSS, que afirmou ter ouvido que Lulinha seria sócio em projetos ligados ao setor de cannabis medicinal. Segundo o relato, Antônio Camilo teria mencionado valores milionários associados a esses negócios, além de supostos pagamentos mensais.
Os investigadores também identificaram viagens feitas em conjunto por Lulinha e Roberta, com passagens emitidas sob o mesmo localizador, incluindo deslocamentos frequentes a Brasília e São Paulo, além de uma viagem a Lisboa, onde o empresário pretendia implantar um negócio na área de cannabis medicinal. Ainda não foi possível identificar quem pagou pelas passagens.
Mensagens extraídas de celulares apreendidos indicam preocupação de Roberta com a possibilidade de a imprensa associar o nome de Lulinha ao esquema. Em um dos diálogos, Antônio Camilo tenta tranquilizá-la, sugerindo que apenas um aparelho específico poderia conter informações comprometedoras.
Antônio Camilo está preso desde setembro, acusado de liderar o esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS, que envolveria o pagamento de propina a agentes públicos. No Congresso, um pedido de convocação de Lulinha à CPI do INSS já foi rejeitado, mas novos requerimentos podem ser analisados após o recesso parlamentar.
Em declaração recente, o presidente Lula afirmou que não irá interferir em eventuais investigações envolvendo o filho e defendeu a apuração rigorosa de todos os envolvidos. “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, afirmou o presidente.
