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Reprovação de contas reacende disputa política no AM e pode tornar David Almeida e José Melo inelegíveis

Ex-governador vê motivação eleitoral em parecer da Aleam e diz que decisão mira eleições de 2026.


A reprovação das contas do exercício de 2017 pelo parecer da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) provocou forte reação do ex-governador José Melo, que classificou a decisão como uma manobra política com foco direto no cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, a medida vai além da análise técnica e pode ter como objetivo enfraquecer possíveis candidaturas ao Governo do Estado.

Em declarações recentes, Melo afirmou que a decisão carrega um claro componente político, sobretudo por envolver o nome do atual prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), apontado nos bastidores como potencial candidato ao Executivo estadual, apesar de negar publicamente essa intenção.

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“Ninguém é criança aqui. Existe, sim, um componente político nessa história”, afirmou Melo, ao destacar que discussões contábeis acabam sendo instrumentalizadas conforme os interesses eleitorais do momento.

Contas de 2017 e divergência com o TCE-AM

O parecer aprovado por unanimidade na CAE rejeita as contas do período em que David Almeida comandou o Governo do Amazonas de forma interina, por cerca de três meses, após a cassação do mandato de José Melo em 2017. A decisão da comissão, no entanto, vai na contramão do entendimento técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), que havia emitido parecer favorável à aprovação das contas.

A divergência reacendeu o debate sobre os limites entre a análise técnica dos órgãos de controle e a decisão política do Legislativo, que, pela Constituição, detém a palavra final sobre a aprovação ou rejeição das contas de governadores.

Possível inelegibilidade por até oito anos

Caso o parecer da CAE seja confirmado pelo plenário da Aleam, David Almeida e José Melo podem se tornar inelegíveis por até oito anos, conforme prevê a Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de gestores com contas rejeitadas por irregularidades consideradas insanáveis e com indícios de dolo.

O relator do parecer foi o deputado Wilker Barreto, e a votação contou com o apoio dos deputados Alessandra Campelo, Felipe Souza e Rozenha.

“Qual foi o crime em quatro meses?”, questiona Melo

José Melo também questionou sua própria inclusão no processo, argumentando que esteve à frente do governo apenas nos primeiros meses de 2017, antes da cassação definitiva de seu mandato.

“Eu tive quatro meses de gestão naquele ano. Qual foi o crime que eu cometi em quatro meses?”, questionou o ex-governador.

Após a saída de Melo, David Almeida assumiu o comando do Estado na condição de presidente da Aleam, permanecendo no cargo até a realização da eleição suplementar que elegeu Amazonino Mendes para concluir o mandato até 2018.

Impacto no xadrez político do Amazonas

Para analistas políticos, o caso ganhou relevância justamente por ocorrer em um momento de reorganização das forças políticas visando as eleições de 2026. Embora David Almeida negue qualquer intenção de disputar o Governo do Amazonas, seu nome é frequentemente citado como um dos principais potenciais candidatos.

José Melo afirmou confiar que o plenário da Aleam adotará uma postura equilibrada ao analisar o caso.

“Espero que haja discernimento para entender que não é assim que se faz política”, declarou.

Próximos passos

O processo segue agora para elaboração do relatório final da comissão e, posteriormente, para votação em plenário. A expectativa é de que o tema volte ao centro do debate político com a retomada dos trabalhos legislativos, mantendo forte repercussão nos bastidores do poder no Amazonas.